Vinhos e carros duas paixões: Vinhos “De Luxe Premium” e Chevrolet Bel Air

“Procurei construir com vocês um raciocínio que desenvolve e dá estrutura à formação de um vinho Premium, citando resumidamente cada etapa que agrega valor e diferenciação de preços. E aí surge uma questão: qual a percepção de cada um quanto ao preço e valor?”

Por Norivaldo de Azevedo

Conforto, qualidade e beleza são atributos indispensáveis em produtos ou marcas que se propõem a oferecer algo acima da média de mercado. E isto é válido em diversas categorias de produtos, tendo sido, portanto, a proposta do Chevrolet Bel Air que, além dos atributos acima, agregou o conceito “De Luxe Premium”.

Legal, mas você deve estar curioso para ver como será a nossa harmonização de vinhos com esta maravilha criada pela Chevrolet. É simples: para um carro sofisticado e elegante sempre temos um vinho no mesmo padrão… “Os iguais se atraem!”.

Tanto nos meus cursos, como também, em conversas com clientes em nossa adega, a pergunta que mais ouço é com relação a diferença entre preços dos vinhos e o porque dessas variações. Respondendo de uma forma bem simples, sempre digo que vinhos também são divididos em categorias como ocorre em diversos outros tipos de produtos no mercado, que vão do básico ao mais sofisticado, onde a composição dos elementos, custo de insumos, matéria prima, mão de obra, logística, impostos e margem de lucro, farão toda a diferença na definição do produto final.

Nos vinhos também temos todos os elementos acima, porém com alguns ingredientes a mais, é o que explicarei agora.

Primeiro pense que um vinho tem que esperar, aproximadamente, um ano para começar a ser produzido, pois este é o período onde a videira passa pelo seu ciclo natural de desenvolvimento. Os vinhos mais comerciais, também podemos chamar de básicos ou de entrada, abrangem as maiores quantidades, onde geralmente a colheita é mecanizada e são os primeiros a serem finalizados e envasados nas garrafas; portanto, existe o que chamamos de “Economia de Escala”. Já os vinhos mais caros passam por processos que, ainda podemos dizer, são praticamente artesanais.  Este processo tem início pelo cuidado no campo, onde o bom vinho começa a nascer na terra, com videiras selecionadas, parcelas menores de área plantada, acompanhamento técnico diferenciado e colheita manual; é feita a melhor seleção de uvas maduras e sadias que são acondicionados em cestos de coleta com baixo volume de cachos, para que não haja peso excessivo e rompimento da fruta entre o campo e a adega (local de processamento da fruta).

A próxima etapa é o processamento das uvas através da fermentação, e, para que o produto final seja de excelência, o tempo desta fermentação é muito maior se comparado com os vinhos mais comerciais, para que possa se transformar em um vinho de padrão de qualidade superior. Este processo pode acontecer em tanques de aço inox ou, para vinhos ainda mais especiais, diretamente em barricas de carvalho; existem também as ânforas de barro, que é o resgate dos tradicionais métodos usados pelos Romanos.

Vinhos especiais precisam descansar para amadurecer e este processo ocorre em barricas de carvalho, e somente carvalho, que é uma madeira disponível em florestas localizadas em pouco países, onde o corte se dá com, no mínimo, 40 anos. O tempo de amadurecimento é muito variável, podendo durar de alguns meses a alguns anos, conforme o vinho que se deseja obter ao final. Mas não acaba aí, porque os grandes rótulos ainda passam por longos períodos de envelhecimento em garrafas, nas Caves, que normalmente são locais abaixo do nível do solo, com controles de temperatura e umidade. O envelhecimento também pode ser variável, podendo ocorrer de meses a anos, antes de, finalmente, estar disponível para o mercado. Vinhos que passam por processos de amadurecimento e envelhecimento, são os indicados em rótulo como Reserva, Gran Reserva, Crianza, Cru, Gran Cru, Reserva de Família, etc.

A região de origem do vinho é outra variável que agrega muito prestígio. Como exemplo temos as renomadas regiões de Bordeaux e Borgonha na França; Douro e Alentejo em Portugal; Rioja, Espanha; Toscana, Itália; etc. Estes são alguns exemplos e o que todas essas regiões tem em comum, é o rígido padrão estabelecido por legislações locais, que determinam a escolha das castas (uvas), plantio, cultivo, produção e engarrafamento. Estas normas garantem qualidade e reconhecimento. São vinhos com Denominação de Origem (D.O.) reconhecida em rótulo, que também podem estar em níveis superiores com a indicação de Denominação de Origem Garantida (D.O.G.) e Denominação de Origem Controlada e Garantida.


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As premiações alcançadas em concursos de vinhos pelas pontuações (notas proferidas por críticos) e publicações de notório reconhecimento, como por exemplo: o americano Robert Parker e a revista especializada britânica Decanter; agregam muito para a valorização de determinado vinho e seu respectivo rótulo.

Alguns rótulos se tornaram ícones do mercado de luxo, como os exemplos abaixo dos vinhos mais caros do mundo, conforme a revista Forbes (1):

Ficaram assustados com os preços? Pois é, eu também fico… (rsrs)

Algumas curiosidades deste ranking de fevereiro 2021: os vinhos franceses dominam, são 13 rótulos (65%); 6 vinhos alemães (recordem que falamos de alemães em nosso último artigo, onde citei sobre o crescimento e valorização destes vinhos?); 1 vinho dos EUA  com a uva Cabernet Sauvignon (também já falamos de vinhos californianos). Outra curiosidade é a de que os vinhos alemães são todos brancos, na maioria são suaves e feitos com a uva Riesling. Com relação ao primeiro colocado do ranking, o Romanee-Conti (França), este é um vinho da Borgonha e com a uva Pinot Noir, como muitos dos demais franceses desta lista.

Os vinhos deste ranking representam o que existe de melhor, mais qualificado, mais Premium, mais “De Luxe”. Mas é importante dizer que o mercado de Vinhos Premium não se limitam a esta lista; ele abrange uma variedade incontável de vinhos com valores muito mais acessíveis, que são categorizados como premium por todo o conjunto de processos usados para a sua confecção.

Procurei construir com vocês um raciocínio que desenvolve e dá estrutura à formação de um vinho Premium, citando resumidamente cada etapa que agrega valor e diferenciação de preços. E aí surge uma questão: qual a percepção de cada um quanto  preço e valor?

Conceitualmente preço é o resultado de dados quantificáveis, como custos, impostos, margem, etc. Valor é um conceito subjetivo, é individual, resultado da avaliação entre o benefício e a experiência adquirida.  É percebido pela motivação de um sentimento particular de boas vivências. Felizmente o Mundo dos Vinhos nos oferece uma infinidade de opções que nos chamam para uma diversidade muito grande de experiências, seja pelo tipo de uva, origem, preço, classificação e, em algum momento, pelo valor que cada um percebe em determinado rótulo. Seja qual for a sua opção, desejo que você seja feliz na sua escolha!

Um brinde a todos!

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