A Copa das manifestações

“Não há necessidade de dar os argumentos pró ou contra a realização do evento, todos estamos carecas de saber, o problema nunca foi a pandemia. Ao leitor, um recado deste que vos subscreve, descole-se de toda a histeria midiática, cave – fundo – por sobre as frases de efeito e analise os fatos, só assim a sociedade conseguirá minimizar o ônus da politização da sociedade. Para frente Brasil, (por favor) salvem a seleção.”

Por Tiago Augusto

Em meados de 2013, às vésperas da Copa das Confederações escrevi um artigo de mesmo nome para o Jornal Diário da Manhã, sobre a situação de furor pelo qual o país passava. Naquele ano as manifestações de rua tomaram todos os estados da federação, algo inédito para esta geração, as pautas eram as mais variadas e o lema “não é só por 0,20 centavos”, e “Olavo tem Razão” caíram na boca do povo.

Naquele artigo eu expus a incoerência de gastar bilhões de reais do contribuinte para organizar eventos do porte da Copa das Confederações e Copa do Mundo, tendo em vista o colapso econômico e social que se avizinhava, ou melhor, já acontecia e era jogado para baixo do tapete.


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Muita água passou por baixo da ponte desde então, impeachment, a eleição mais tensa das últimas décadas, seguidas de manifestações populares com pautas bem definidas e reformistas no país, algo nunca visto – quem dizia que o brasileiro não era politizado queimou a língua – e estamos aqui novamente, às portas de mais um evento futebolístico, o esporte que mexe com os nervos de todos os brasileiros.

Essa sanha politizadora do pensamento brasileiro tem seu ônus e seu bônus, é assim mesmo, faz parte do processo de amadurecimento do sistema representativo capenga em que vivemos. O bônus é que, graças à internet, nada mais passa despercebido aos olhos da sociedade mais atenta, o ônus, tudo virou narrativa, a politização da vida, desde o “remédio do Bolsonaro” até descambar para o futebol – falando francamente aos mais atentos, nosso futebol já perdeu a graça há algum tempo – foi só o presidente aceitar realizar a Copa América no Brasil que a histeria midiática começou.

No duro, todo mundo sabe o motivo, guerra de poder e audiência, a ex-gigante Globo vem perdendo a queda de braço não é de hoje. Perdeu Fórmula 1, Copa América, Libertadores, Champions League e só não perdeu o Brasileirão por conchavos com a CBF – pesquisem o livro “Cartão Vermelho” de Ken Bensinger. É preciso dar as boas-vindas ao livre mercado para a turma do plim-plim.

Não há necessidade de dar os argumentos pró ou contra a realização do evento, todos estamos carecas de saber, o problema nunca foi a pandemia. Ao leitor, um recado deste que vos subscreve, descole-se de toda a histeria midiática, cave – fundo – por sobre as frases de efeito e analise os fatos, só assim a sociedade conseguirá minimizar o ônus da politização da sociedade. Para frente Brasil, (por favor) salvem a seleção.

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