Os intocáveis

“Em um país sério, os 11 ministros estariam na cadeia – principalmente Tóffoli – mas como vivemos em um Estado Juristocrático, e não democrático, nada acontece, inclusive com o ministro citado na delação julgando em causa própria.”

Por Tiago Augusto

Não, o título do texto não se refere ao filme de 1987, que segue o relato histórico de um agente federal americano sobre os esforços dele e de seus Intocáveis ​​para colocar Al Capone preso durante a Lei Seca americana, e nem do filme lançado em 2011 que retrata o drama de um bacana francês tetraplégico que contrata um jovem problemático para seu cuidador. Apesar de serem excelentes filmes – recomendo que assistam os dois -, os intocáveis que o título se refere são os 11 togados do Supremíssimo Tribunal Federal, os arautos da verdade e da justiça.

Semana passada, os editores da nação – função do STF segundo o ministro Dias Tóffoli – rejeitaram uma delação feita por Sergio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, Proximus – codinome de Cabral na planilha da Odebrecht – afirmou que o ministro Dias Tóffoli recebeu R$ 3 milhões para alterar seu próprio voto, e R$ 1 milhão para conceder liminares favoráveis a prefeitos do Estado.

O fato foi só mais um para a coleção dos 11 supremos iluminados de Brasília, principalmente quando o assunto é Dias Tóffoli, o “amigo do amigo do meu pai” – codinome do ministro na lista da Odebrecht – foi subchefe de José Dirceu na Casa Civil em 2003, AGU em 2007 e finalmente ministro nomeado por Lula em 2009. A lista é extensa, vai desde uma mesada que recebe da ex-esposa, até ter apelido na lista de propinas do maior esquema de corrupção da história.

Em um país sério, os 11 ministros estaria na cadeia – principalmente Tóffoli – mas como vivemos em um Estado Juristocrático, e não democrático, nada acontece, inclusive com o ministro citado na delação julgando em causa própria. Pensa só, o camarada é citado por vender decisões e julga a própria delação que se dirige a ele, o princípio da imparcialidade foi para as cucuias faz tempo, aliás, não há mais princípios no Direito brasileiro.


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Como se já não bastasse ser o pai dos inquéritos, 4.781 (fake news) e 4.828 (atos antidemocráticos), aberrações jurídicas criadas para fazer um mix entre o Processo de Moscou com o famoso julgamento nazista da eutanásia, nosso poder judiciário é comandado literalmente por ladrões.

Se esses intocáveis quisessem vir aqui e incluir o Canal 7 no inquérito das fake news, ou dos atos antidemocráticos, o fariam sem o menor pudor. O acúmulo do poder político e militar, financeiro e intelectual que essa gente acumulou ao longo dos anos – o intelectual sendo o mais fraco deles – faz com que apaguem do mapa e joguem aos porões qualquer indício, por menos que seja, de ameaça a sua hegemonia, e isso inclui não só os togados, mas os políticos, grandes empresários, jornalistas e militares, uma perfeita e macabra simbiose.

Alexander Soljenítsin bem escreveu “a instrução e o julgamento são apenas formalidades jurídicas, que já não podem mudar o vosso destino”. Esse é o Brasil em vivemos, a letra da lei já não tem mais valor, criminalizaram a opinião, a boa tradição, o direito natural e as liberdades individuais, e não há salvador da pátria que possa te socorrer, nem se D. Pedro II renascesse dos mortos.

O executivo, único poder que ainda goza de legitimidade, tem sérios problemas em se organizar, imagino que por inocência mesmo, Bolsonaro tem popularidade, mas não tem poder, não possui partido, nem militância organizada, nenhum sindicato para o defender, não tem jornais de grande circulação e credibilidade e nem líderes de classe a serviço de sua agenda. Sua sorte é única e exclusivamente a incapacidade de seus opositores, no meio dessa anarquia, quem está mandando é o judiciário.

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