As principais linhas de crédito para o Setor Produtivo

Por Ildefonso Camargo

Neste período de pandemia muitas empresas buscaram créditos para sanar os débitos com os fornecedores, folha de pagamentos e despesas operacionais. Sem contar os compromissos já firmados com os bancos. Mas, por outro lado, vimos que alguns segmentos foram beneficiados pelo aumento do consumo, principalmente o segmento da construção civil, embalagens, bebidas e outros. Se olharmos sobre a óptica financeira, percebemos que a necessidade da tomada de empréstimo não escolheu a sua razão, seja ela para socorrer o dia a dia das empresas ou expansão (matéria-prima, máquinas e equipamentos, mão de obra, e outros).

No quadro abaixo podemos destacar a linha BNDES FINAME MATERIAIS, que é justamente o capital de giro para empresa, no qual o empresário pode recuperar os seus gastos, seja investimentos e/ou matéria prima, nos últimos 12 meses, isso mesmo! Doze meses. Só verificar se a sua nomenclatura está em conformidade com a política de crédito do BNDES, para conferir é só clicar BNDES FINAME MATERIAIS e digitar o código do NCM da nota fiscal para verificar se é compatível ou não. Essa linha é 100% financiável e pode ser acessada diretamente com o próprio BNDES, ou com os bancos parceiros. Sua taxa média, 8,5% ao ano, prazo médio de 5 anos para pagar, já incluso 1 ano de carência.

As demais linhas são as tradicionais que já conhecemos, que é o caso do FCO, que é sem dúvida a melhor opção em termos de taxas. O que é às vezes mais complicado é a questão da disponibilidade do recurso, que tradicionalmente se esgota no meado do segundo semestre. No final de setembro para outubro, já começa a faltar o recurso. Mas, logo se renova no início do ano. O segredo sempre é organizar a empresa com as suas devidas documentações e ter um bom relacionamento com o banco do Brasil, que é o responsável pela linha.

Todo esse tempo de busca de novas oportunidades, encontramos um agente financeiro parceiro que consegue fazer o financiamento de galpão já construído e averbado, com a taxa média de 8% ao ano, prazo de 15 anos. Se o empresário precisar de REFINANCIAR o seu próprio galpão para sanar e alongar as suas dívidas, ele terá condições de fazer essa operação financeira com a taxa de 1,15% a 1,2% ao mês pré-fixado (taxa já definida até o final do contrato), ou também, pela taxa variável que está em torno de 0,75% ao mês + Inflação. Essa seria uma solução mais ágil e mesmo com algumas restrições financeiras, o empresário conseguirá tomar esse empréstimo, desde que consta que a operação será destinada, uma parte, para saldar parcialmente os valores em abertos. Neste caso, o REFINANCIAMENTE será de 60% do valor do imóvel, contra 80% da opção de AQUISIÇÃO.


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Outra forma da empresa obter mais capital de giro, é aderir ao programa de incentivo fiscal do governo de Goiás, PROGOIÁS. Neste caso, a empresa só irá recolher o ICMS com desconto de 65%, 66% e 67% sobre o valor devido. A competitividade aumentará pela economia do imposto estadual. O incentivo é exclusivamente para indústria de transformação.

As linhas de investimentos (construção civil, máquinas e equipamentos, projetos e outros) são beneficiadas pelo prazo de pagamento que consta com 03 anos de carência (só paga os juros) e mais 09 anos (amortização e juros). Algumas linhas podem chegar até 240 meses, com 60 meses de carência, como por exemplo a linha FUNGETUR que está com a taxa abaixo de 9% ao ano, para atender o segmento de turismo (hotéis, pousadas, bares e restaurantes, e outros). Para acessar o FUNGETUR é preciso fazer o cadastro no CADASTUR (clica aqui).

Não posso deixar de comentar da linha de inovação, que muitos empresários desconhecem a sua função, principalmente os que estão sempre inovando e gastando todo o seu capital de giro para o desenvolvimento do produto, que muitas vezes compromete o seu fluxo de caixa. A linha de inovação tem como objetivo de financiar o desenvolvimento de um produto inovador e/ou melhoria de processos na empresa. A sua taxa média está entre 9 e 10% ao ano, com 02 de carência + 06 anos (amortização e juros), totalizando 8 anos. E neste caso, a própria folha de pagamento da equipe de desenvolvimento, marketing, máquinas e equipamentos, viagens para feiras de exposição, matéria-prima para os ensaios (testes dos produtos), são financiáveis.

O ideal seria buscar mais informações antes de fazer algum gasto na empresa, consultar os seus gerentes, consultores e entender se realmente há necessidade de tomar esse recurso ou não. Não fecha na primeira negociação, pesquisa antes, veja as taxas e os juros e suas condições.

Figura 1. Linha BNDES FINAME MATERIAIS- continua na figura 2.
Figura 2. Linha BNDES FINAME MATERIAIS- continuação figura 1.

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