A Festa do Divino Espírito Santo

“Se compreendêssemos o que significou o Divino na vida dos apóstolos em Pentecostes, com certeza entenderíamos, também, o que é a celebração da Festa do Divino em nossa cidade de Jaraguá.”

Por Pe. Edmilson Luiz de Almeida

A Festa do Divino Espírito Santo representa para nós, jaraguenses, a atualização do que aconteceu com a Virgem Mãe e os apóstolos cinquenta dias após a Ressurreição de Jesus, um novo Pentecostes, onde o Espírito Divino se manifesta em missão, levando adiante, de forma incorruptível, a obra Salvífica inaugurada por Cristo no seu Mistério Redentor.

De repente, em Pentecostes, um vento impetuoso enche toda a casa onde Pedro e os demais Apóstolos se encontravam e remexe os fundamentos da personalidade de cada um deles, os quais, no momento, se sentem repletos da presença do Divino; o fogo arde em seus corações, a cabeça de São Pedro resplandece iluminada pela inteligência Divina e a sua boca proclama com tal eloquência que os ouvintes o entendem na sua própria língua.

Se compreendêssemos o que significou o Divino na vida dos apóstolos em Pentecostes, com certeza entenderíamos, também, o que é a celebração da Festa do Divino em nossa cidade de Jaraguá.

Durante a festa, a comunidade sente-se iluminada pela luz divina e fortalecida pela presença atuante da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade: O Espírito Santo, alma da Igreja. A cada ano, também cinquenta dias após a Páscoa, podemos vivenciar um novo Pentecostes em Jaraguá.

Por ser uma das festas mais antigas, difundidas e praticadas do catolicismo popular, em Jaraguá, destaca-se o número de características e manifestações que ocorrem: enfeites pelas ruas, praças, barracas, igrejas, campos, há toda uma movimentação que expressa a magnitude da devoção desse povo junto ao Divino Espírito Santo.

Ressalto a manifestação religiosa que acontece na Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha através das novenas – a participação dos fiéis supera os mil lugares de acomodação que ela suporta, torna-se ínfima para admitir o número de devotos. O novenário conta com uma equipe com mais de quatrocentos voluntários organizando a parte social da festa e, mesmo assim, passa apuros para atender à comunidade. Os hinos do Divino são ouvidos nas Igrejas, novenas preparatórias, terços dos cavaleiros, folia, etc.

A emoção e a beleza das novenas, as missas, o coral, o levantamento do mastro, os cortejos, a queima de fogos, a banda Santa Cecília irradiam de beleza cultural e religiosa o espaço demográfico e geográfico de Jaraguá.

Religião também é cultura, e, em Jaraguá, isso é bem acentuado nas celebrações da festa, através das folias, congadas, alvoradas, preparativos para acolhida na barraca, confraternização dos Cavaleiros das Cavalhadas, que tanto expressam a generosidade e fartura existente no meio da nossa gente. Cada rito citado tem seu “cume” em fartos banquetes.

A Festa do Divino é um espetáculo de fé e devoção na ação do Divino Espírito Santo. É uma festa marcada pela fartura, oração e expressões culturais.

É palco das famosas Cavalhadas, uma apresentação dramática da luta entre mouros e cristãos, uma das mais belas e expressivas manifestações da festa, em que se atualiza uma realidade histórica de outros tempos. O brilho das roupas, os enfeites dos animais, as marchinhas, os mascarados (personagens que, montados a cavalo ou a pé, representam, segundo tradições, os escravos que participavam da festa, saíam de máscaras para não serem reconhecidos pelos seus senhores, fato que enobrece o espetáculo).

A entrada da Rainha, caminhada cultural retomando o passado, onde, em belíssimo séquito, a cultura histórica é valorizada pelas escolas, entidades, etc. Além da participação em massa da comunidade, que acompanha o desfile com animais de variadas espécies: cavalos, bois, etc.

As Folias, comissões religiosas que, em procissão, percorrem diversas casas (Folia urbana) e fazendas (Folia rural), carregando consigo as Bandeiras do Divino e oferecendo as bênçãos do Divino Espírito Santo.

Um elemento que desperta atenção é a figura do Imperador, que retrata com toda simbologia o Rei, representando a nobreza e o poder material desse mundo. A coroa simboliza o poder do rei (imperador), mas, na festa do Divino, o imperador nunca traz a coroa sobre a cabeça, pois a coroa é do Divino e não do imperador. Encontramos aqui a expressão máxima de que quem governa e conduz, fortalecendo nossas vidas, não é o homem arrogante e autoritário, mas sim, o Divino, que age através daqueles que se prostram na sua presença, sendo constituídas em poder para “representá-lo”. Imagino as pessoas que mandam ou governam sem a luz bendita do céu, uma verdadeira catástrofe.

Inevitavelmente, a Festa do Divino Espírito Santo é um poderosíssimo instrumento de evangelização, na qual são celebradas as Santas Missas na Igreja e, também, um mecanismo nas mãos dos admiradores, pois podem enriquecer suas experiências culturais e artísticas.

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