O viajante

Por Maria Helena de Amorim Romacheli

A Maria fumaça apitô

Tão alto que me acordô

Juntei a trôxa e a farofa

Piquei a mula pra fora,

Corri sem direção.

_ Adonde será a estação?

Nisso um véio se achegava,

Perguntei de supetão.

_Seu moço, adonde é o trem?

_Trem?!…Que trem?

_Ovi ele apitá.

Fez um bico e respondeu:

_Num intendi, sinhô!

Será burro ele ou eu?

_Viajá… trem …estação.

Acenei prele intendê.

_Trem?…aqui num tem.

Tava ele a me dizê.

_Eu iscuitei ele buziná!

Chamando passageiros

Pra toma seus lugá.

Pulei da cama da pensão

Corri esse tanto de chão

I preste mundo de Deus,

Tentá achá Joaninha

Dona dos sonhos meus.

Veja minha situação:

Cheguei muito cansado,

Do meu amado sertão.

Com duas pedra fiz um fogão,

E sem lenha pra queimá

Queimei a camisa minha,

Fritei malemá a galinha

Pra farofa pude levá

Juntei ropa suja, ropa limpa,

Taquei tudo no sapiquá

E mar dormido na cama

Esperei o sór raiá

Saí hoje sonolento

Pra viaje realizá.

Nem que seja de a pé

Meu amô vô encontrá.

Agora vem vosmicê,

Que num tem trem, dizê,

Será que fiz foi sonhá?

Aí me veio o véio:

_ Carma, carma retirante,

cá nois tem muita condução

pra vóis micê se acoitá.

O apito que oviu

Foi das fábrica de Jaraguá,

Que buzina desde cedo.

Pro pessoar i trabaiá,

Faze rôpa preste mundão

E pro Brazir agazaiá.

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