Utilizar capital próprio ou tomar empréstimo para iniciar uma empresa?

É sempre importante não colocar todos os ovos numa cesta, temos que conversar com as principais fontes de recursos e até mesmo, com a possibilidade de negociar com os futuros fornecedores.

Por Ildefonso Camargo

Essa é uma questão bem polêmica, mesmo por se tratar da dificuldade de obtenção de crédito no mercado. Se há possibilidade de tomar empréstimo com banco ou com próprio fornecedor seria a melhor opção, desde que haja um plano B. Como assim? Um plano B? A maioria das empresas iniciam com o recurso próprio, na construção e/ou reforma do ponto, na aquisição de equipamento, ou seja, em investimento fixo. Esquece de fazer o planejamento para segurar os custos operacionais nos seus próximos 06 meses. Sem falar que o estoque está alto demais ou muito baixo.

O plano B é procurar usar o dinheiro próprio para segurar essas despesas nos próximos 06 meses, e que a base de cálculo seria o somatório de todas as despesas fixas, como: salários, aluguel, material de escritório, internet, pró-labore (salário do empresário), contador, energia e outros. Se o somatório dessas despesas for por exemplo R$ 10.000,00, vamos considerar mais 20%, R$ 2.000,00, onde o valor total fica em torno de R$ 12.000,00/mês.   Sendo assim, temos:  6 meses x R$ 12.000,00/mês = R$ 72.000,00. Como tudo isso é teoria e na prática às vezes não conversa com o planejamento financeiro, não aconselho que seja inferior a 03 meses de reserva, ou seja, R$ 36.000,00 de caixa. Abaixo desse valor, o risco é altíssimo.

Existe muitas empresas que começaram com valores bem menores, mas também existem muitas empresas que até hoje tentam sair do vermelho e outras, já nem se quer teve a oportunidade de apresentar ao mercado, fecharam bem antes dos 12 meses. Segundo o IBGE, a maioria das empresas no país não dura 10 anos, e 1 de 5 fecha após 1 ano. Dados de 2008 a 2018. Infelizmente, após a pandemia teremos dados drasticamente negativos.


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Como utilizar o capital de terceiros se não tem histórico de faturamento? Bom, felizmente ainda existem bancos e agência de fomento que operam com a empresa na fase de implantação. Geralmente, o que mais tem chamado atenção é a eficiência da Goiásfomento, alguns casos os processos demorarem acima da média, mas o esforço e a dedicação aos empresários são compensados. Enquanto nos bancos, os procedimentos vão muito do relacionamento com a agência, mas também, possui excelente atendimento e com resposta ágil.

É sempre importante não colocar todos os ovos numa cesta, temos que conversar com as principais fontes de recursos e até mesmo, com a possibilidade de negociar com os futuros fornecedores. O que gostaria de destacar é na obtenção do recurso financeiro, sem colocar todos as suas reservas na empresa. Muito difícil ter uma segunda chance, sem comprometer o seu CPF e o seu CNPJ.

Como sempre digo nas minhas aulas, não existe caminho único, em hipótese alguma, sempre há uma nova chance, pois, o seu recomeço não será mais como a primeira vez, pois você terá na bagagem a experiência, seja positiva ou negativa, e ninguém tirará isso de você. Faça um planejamento, procure profissionais da área e consulta sempre os seus gerentes e as fontes de recursos financeiros.

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ILDEFONSO CAMARGO JÚNIOR (1676/D Corecon-GO 18ª) – sócio proprietário da empresa VALORIMEX.COM; MBA em Gestão Empresarial pela UCG; Pós-Graduação em Administração Financeira pela Cambury-GO/FAAP-SP; Graduado em Ciência Econômicas pela UCG (hoje PUC-GO). Área de atuação: gestão empresarial, planejamento estratégico, precificação, análise econômica e financeira, pesquisa e análise de mercado, projetos de viabilidade econômico-financeira e de incentivo fiscal.

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