Um ser Racional

“Percebermos que o homem no decorrer da história, foi ganhando destaque como foco do estudo filosófico, pois de fato ele é um mistério no qual precisa ser desvendado.”

Por Alaor Bruno

A pergunta sempre esteve presente na existência humana, perguntas simples tais como: de onde viemos? Para onde vamos? Quem somos nós? É através das perguntas que se chega às respostas. Neste momento interessa saber quem somos nós, é nesse sentido que Sócrates citado por Gandra (2004) vai dizer: “Conhece-te a ti mesmo”. A partir deste autoconhecimento que é possível desenvolver atitudes em função da melhoria de vida do ser humano, possibilitando em vários campos de sua existência formas cada vez mais dinâmicas de realização plena das capacidades do ser racional, como no nosso caso a aplicação de didáticas eficazes para a assimilação de conhecimento.

A pessoa humana é sem dúvidas um ser muito complexo devido sua grande constituição psicofísica, é também um mistério pelo qual em graus de comparação pouco se conhece ainda, por isso é um grande objeto de estudo de diversas áreas, de tão vasto que é o ser humano, pode ser comparado a um universo cheio de mistérios e segredos, um universo a ser desbravado e conquistado. As ciências hoje em seu pleno desenvolvimento nos revelam partes destes segredos existentes no homem. É de grande estima que se desenvolvam os estudos relacionados à pessoa por que quanto mais se conhecer melhor se vive.

Para entendemos mais sobre o termo “pessoa” é importante fazermos um passeio na história, para percebermos como esta palavra se agregou na definição do ser humano, como surge na história o uso desta palavra, que é tão rica, pois esta mesma é usada como termo de definição de um ser bem complexo.

A palavra pessoa (ou personalidade) é encontrada, praticamente sem alteração, em bom número de línguas faladas nos países de cultura ocidental. Deriva do latim Persona, que significa originariamente Máscara, mas cuja etimologia é desconhecida. (STOETZEL, 1967, p.164).

  Obviamente que existe algo por trás desta máscara ao qual ganhou o nome de pessoa, o homem, ser racional que interpretava fazia menção de algo. “Vou interpretar uma pessoa”, dizia o ator! Com estas colocações fica mais claro o entendimento quanto à origem da palavra, que apropriou do homem, e que por séculos foi se desenvolvendo, até chegar à Idade Média onde a filosofia ganhou grande força devido ao bom número de pensadores, que por sua vez iluminados por um sentimento divino chegaram a uma definição de pessoa com forte consistência, que é a definição de Boécio.

“Na alvorada do século VI, Boécio já encontrara a fórmula sintética que seria constantemente retomada: a pessoa é a Substância individual de um ser racional: (Persona est rationalis naturae individua substantia). Daí por diante, não mais se deveria dizer o homem, mas a pessoa humana.” (STOETZEL, 1967, p.167).


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A partir desta definição, o ser humano pode ser diferenciado dos demais seres uma vez que é uma substância individual, distinto dos outros e indiviso em si, sendo racional somente a pessoa humana é capaz de perceber a realidade de forma reflexiva e com liberdade emitir conceitos e juízos, definindo e se expressando, somente a pessoa humana é capaz de verbalizar conhecimento e se comunicar de forma consciente, somente ele é capaz de estudar, especular e fazer ciência atestando os fatos. É a partir daí que a filosofia vai aos poucos se direcionado para dar algumas explicações quanto ao ser humano, surgindo daí algumas distinções do ser pensante, como por exemplo, como é este processo de pensar, como o homem enxerga a realidade, e de que modo esta realidade se revela a ele. Assim nos diz Battista Mondin:

A especulação grega, como sabemos, voltava sua atenção principalmente para a natureza; a medieval, para Deus. A filosofia Contemporânea se interessa especialmente pelo homem. (MONDIM, 1981-1983, p. 7).

Por sua vez, considera o homem como ser social e explora, mais que a sua atividade especulativa, as suas atividades práticas (Políticas, econômica, técnica, trabalho etc.). Ela atribui, além disso, grande importância ao estudo da linguagem e de outras dimensões humanas quase sempre descuradas pela filosofia dos períodos dos precedentes, como a cultura, a ciência, o esporte, o mito etc. (MONDIM, 1981-1983. p. 8).

Percebermos que o homem no decorrer da história, foi ganhando destaque como foco do estudo filosófico, pois de fato ele é um mistério no qual precisa ser desvendado. A partir destes dados podemos ir adiante, naquilo que é a personalidade.

Este ser racional que é a pessoa possui muitas potencialidades e estas devem ser postas à disposição do bem pessoal e comum, e sempre serem trabalhadas e amadurecidas.  Deste modo se chega a uma pessoa adulta, com uma personalidade madura, de fato a dignidade da pessoa humana se destaca mediante ao seu valor, o seu ser, por isso é mui precioso valorizarmos a pessoa humana, que de acordo com seu lugar na escala dos seres. Não se pode colocá-lo em comparação aos animais e nem exaltá-lo como um ser puramente espiritual e divino, deve-se, portanto encontrar nele o seu devido valor. O homem deve ser consciente de quem ele é, até onde pode chegar suas faculdades, e entender do que é capaz para que seja responsável pelo progresso de sua existência no tempo.

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