Algo de errado não está certo

“Apesar de determinar a proibição de frequentar determinados lugares, o AI-5 nunca privou qualquer crente de comparecer a seu respectivo culto religioso, como vemos o STF atual fazer. A grande diferença entre o que acontece atualmente e o que ocorreu durante o governo militar é que hoje tudo é feito à margem da lei, não existe nada além da vontade de algum juiz ou todos eles, quem governa o Brasil é o judiciário, e “o choro é livre” como nos lembrou a Maju.”

Por Tiago Augusto

O mundo e especialmente o Brasil vive uma situação que se não é excepcional, é uma realidade que as últimas gerações não tinham vivido de forma tão radical.

Alguns argumentam que a situação atual não pode ser pior do que o famigerado AI-5, durante o governo militar. Entretanto, o fatídico Ato Institucional nº 5 acontecia de forma legal e todos os seus atos estavam dentro da lei, pode-se discutir a moralidade das leis ou a necessidade delas, mas não se pode dizer que era ilegal. Falar em AI-5 é mexer com o imaginário popular, a simples menção do Ato faz vir a cabeça das pessoas imagens de calabouços sombrios cheios de ratos, as torturas mais escabrosas, um troço bem hollywoodiano, a mesma falsa impressão que se tem quando usa-se a expressão inquisição.

A verdade é que ninguém nunca se deu ao trabalho de ler o AI-5, que em seu artigo 5º dizia ser a suspensão dos direitos políticos dada através de “I – cessação de privilégio de foro por prerrogativa de função; II – suspensão do direito de votar e de ser votado nas eleições sindicais; III – proibição de atividades ou manifestação sobre assunto de natureza política; IV – aplicação, quando necessária, das seguintes medidas de segurança: a) liberdade vigiada; b) proibição de frequentar determinados lugares; c) domicílio determinado”.

Apesar de determinar a proibição de frequentar determinados lugares, o AI-5 nunca privou qualquer crente de comparecer a seu respectivo culto religioso, como vemos o STF atual fazer. A grande diferença entre o que acontece atualmente e o que ocorreu durante o governo militar é que hoje tudo é feito à margem da lei, não existe nada além da vontade de algum juiz ou todos eles, quem governa o Brasil é o judiciário, e “o choro é livre” como nos lembrou a Maju.

Como é difícil sustentar uma posição cristã publicamente, nos dias atuais. A cada ano que passa, geração após geração, isso se torna mais difícil. A perseguição a todos os tipos de religião – exceto a fé na ciência e a “perseguição” islã – há muito acontecia de forma velada, dominando a linguagem e com o falso discurso de não ofensa a quem pensa diferente. Bem, chegamos ao ponto de essa perseguição, principalmente aos cristãos, ser explícita.


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A essencialidade da doutrina religiosa para a saúde espiritual e psicológica das pessoas é incontestável. É possível assistir todos os dias surtos psicóticos por todo o país dada a situação calamitosa pela qual vivemos, mas um exame mais profundo dos últimos tempos nos mostra que com passar dos anos, à medida que a fé vai perdendo seu espaço, esses eventos têm crescido. Jogar a fé religiosa para escanteio dá nisso.

Apenas duas constituições brasileiras não citam Deus explicitamente, não por coincidência as duas constituições que nasceram dos verdadeiros golpes políticos de nossa história, a constituição de 1891 e a constituição varguista de 1930, todas as outras tem como figura basilar a regência de Deus sobre a nação.

Uma breve análise em nossa história nos dá a explicação para tanto, nossas terras foram descobertas por cavaleiros da Ordem de Cristo, em nossa certidão de nascimento (carta de Pero Vaz de Caminha) é relatada uma missa como o primeiro evento acontecido na chamada Terra de Vera Cruz.

Desde o renascimento, existe a falsa impressão de um renascimento da cultura greco/romana, bem, isso é absolutamente falso, o que realmente ocorreu e vem ocorrendo agora em doses cavalares é que o espírito cristão foi retirado da cultura ligada à Lei Eterna, a cultura greco/romana que está conectada com o Deus criador.

A classe “pensante” moderna parece ter perdido a noção objetiva de que existe uma Lei Eterna, e ela é a razão suprema de todas as coisas, a verdadeira lei, porque é uma ordenação primeira da inteligência humana para a ordenação da regência do universo, ou seja, é a própria inteligência divina, a lei natural do universo.

A partir do momento em que a humanidade se distancia dessa realidade verdadeira e quer criar, de acordo com a vontade de algum tirano, uma falsa realidade, não há outro fim que não seja o caos do mundo, e aí vemos que cachorro agora é gente e gente é bicho.

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