A ressaca do Covid-19

Qualquer alteração e ação do governo neste momento só terá resultado com um pacote que promova uma decisão disruptiva no sistema financeiro, que é incentivar a produção em massa, renunciando a todos as análises baseadas em restrições de créditos, agora talvez seja o momento de valorizar os reservistas, ou seja, as empresas que estão no mercado e sobrevivendo sem créditos há muitos anos, por pagar um preço muito alto no seu aprendizado e pela cultura de tomada de crédito e/ou pela falta.

Já se passaram 01 ano da temida pandemia e o pior é que há uma mistura de sentimentos entre a esperança e incerteza. Como se fosse a imagem de um exame de eletrocardiograma, aquele que os gráficos ficam altos e baixos alternadamente. E a sensação é que estamos anestesiados, com algumas doses de ações paliativas das medidas econômicas federal e estadual, foram algumas vezes cirúrgicas nos resultados. Mas, até quando?

A intenção não é achar o pai da criança agora, o foco é criar a solução para o que já está no nosso dia a dia. Podemos até comemorar alguns indicadores positivos, que muitas vezes se dá pela nossa vocação regional que é o “agronegócio” e as ações de créditos via agência de fomento do estado, que por sinal, tem feito a grande diferença, podendo ser considerada o ponto fora da curva. Mas, a grande preocupação não fica só na esfera do governo, também no setor privado, que obrigou a repensar e movimentar as ações administrativas (planejamento, controle financeiro e em busca de novos mercados).

Confesso que mesmo com toda experiência e planejamento, não houve quem pudesse visualizar a proporção desse problema causado pela pandemia, e como será o pós-covid? Sempre, existirão vários palpites, o que não pode ser negado é a existência das cicatrizes que começaram a se formar.


Leia também: Como evitar as armadilhas financeiras para 2021


A ressaca, ou resultado, será mensurado nos primeiros 02 anos da crise, começando pela administração dos próprios sentimentos, principalmente no que tange os medos, as dúvidas e as inseguranças para os novos empreendimentos. Esses talvez não voltem tão cedo a retomar o caminho dos negócios, ficarão comedidos nas suas economias, sem arriscar muito. Do outro lado, existem aqueles que não possuem opção a não ser de levantar e sacodir a poeira e recomeçar a vida. Não há outro caminho, se não ir à luta.

O grande problema da ressaca também é a questão da perda da mão de obra qualificada, dos fornecedores e principalmente dos clientes. Qualquer alteração e ação do governo neste momento só terá resultado com um pacote que promova uma decisão disruptiva no sistema financeiro, que é incentivar a produção em massa, renunciando a todos as análises baseadas em restrições de créditos, agora talvez seja o momento de valorizar os reservistas, ou seja, as empresas que estão no mercado e sobrevivendo sem créditos há muitos anos, por pagar um preço muito alto no seu aprendizado e pela cultura de tomada de crédito e/ou pela falta. Poderíamos chamar o programa “Minha Segunda Chance”, onde haveria algumas contrapartidas econômicas (que não precisa de colocar dinheiro) pela parte do empreendedor, que seria na manutenção ou geração de emprego, ações sociais, incentivo na economia local e outros.

Quando é oferecido um recurso para uma empresa que já aprendeu com todas as dores possíveis de sobrevivência no mercado altamente competitivo, ela saberá conduzir melhor os seus investimentos. Para aqueles que irão começar sua jornada, deverão buscar apoio junto ao sistema S (Sebrae, Senar, Senai, Sesc e outros).

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui