Estado Juristocrático

“Os juízes e promotores de todo o país – com raríssimas exceções que só confirmam a regra – decidiram que não há mais ninguém no governo da República, que não há mais povo e que cabe a eles mandar no Brasil. O país é, em pleno ano de 2021, governado por burocratas que não possuem cargo eletivo”.

Por Tiago Augusto

Em 1910, durante sua campanha à presidência da república, Ruy Barbosa proferiu um discurso chamado “O que é o Brasil”. De acordo com o então candidato e uma das maiores figuras da história brasileira, o Brasil “não são os sanguessugas da riqueza pública. (…) Não são os ministros da tarraxa. (…) É a multidão que não adula, não teme, não corre, não recua, não deserta, não se vende. Não é a massa inconsciente que oscila da servidão à desordem, mas a coesão orgânica das unidades pensantes, o oceano das consciências, (…) onde a Providência acumula reservas inesgotáveis de calor, de força e de luz para a renovação das nossas energias. É o povo, num desses movimentos seus, em que se descobre toda a sua majestade”.

Não é de hoje que a democracia tende, desde a Revolução Francesa de 1789, a simplesmente substituir o privilégio de sangue, pelo do dinheiro. O resultado dessa suposta “liberdade democrática”, é o surgimento de uma nova “aristocracia espúria”, novas classes formadas por militares, partidos políticos e burocracia estatal “técnica” e iluminada.

A essa altura do jogo não existem mais dúvidas de não vivemos mais sob um Estado democrático livre, com toda certeza vivemos sobre um Estado absolutamente totalitário, a estatização total de nossas vidas, não temos o poder de decidir sequer a forma como devemos trabalhar.

Tal ditadura não vem de onde espera a militância jornalística e intelectualóide brasileira, ou seja, não vem do Palácio do Planalto.

O Brasil vive hoje uma ditadura judiciária, todas as decisões, sejam particulares ou públicas, estão sujeitas ao crivo do poder judiciário. É fato que o judiciário tem como função primordial julgar os atos públicos e privados dentro dos limites da lei. Acontece que o nosso país possui leis horríveis e mal construídas que dão margem a todo tipo de obscenidades jurídicas. Quando chegamos ao absurdo de juízes, sejam de primeiro ou segundo grau, sejam ministros da suprema corte, utilizarem o argumento do negacionismo para sustentar uma decisão, não há mais para onde cair, chegamos ao fundo do poço.


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Os juízes e promotores de todo o país – com raríssimas exceções que só confirmam a regra – decidiram que não há mais ninguém no governo da República, que não há mais povo e que cabe a eles mandar no Brasil. O país é, em pleno ano de 2021, governado por burocratas que não possuem cargo eletivo, não devem satisfação nenhuma a ninguém da população, não são presos – no máximo aposentam-se compulsoriamente com o salário no teto – e drenam milhões dos bolsos de todos os brasileiros ano após ano.

Algo que nem peste negra, nem revolução francesa, nem duas guerras mundiais, gripe espanhola ou guerra fria fizeram, o juristas do século XXI tiveram os colhões de fazer, decidir se Deus é importante ou não. A insanidade mental dessa gente é tamanha que segundo suas mentes brilhantes, fé e religião são crendices populares não cabíveis no mundo moderno racional e técnico atual.

Por mais de 2000 (MIL) anos, em nossa civilização, nações são criadas sob valores morais superiores, sob uma lei natural a nós dada pelo Criador de todas as coisas e impressa na alma humana. É preciso concordar com Nietzsche, “Deus está morto”, foi o homem que o matou, este homem, que quer se colocar no lugar de Deus. No nosso caso, homens da justiça o mataram.

Já citei em alguns de meus textos o filósofo do direito José Pedro Galvão de Sousa, esquecido pela maiorias esmagadora dos juristas brasileiros. Galvão de Sousa escreveu que “as sociedades políticas não podem sem crime dirigir-se como se Deus não existisse por forma alguma, ou deixar de ter religião, como se fosse estranha e inútil, ou admitir uma, indiferentemente, a seu bel prazer.”

Hoje, o judiciário brasileiro tornou-se o poder político que dá as cartas no país e decidiu, à revelia do artigo 5º, VI da Constituição Federal, onde é assegurado ser “inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”, que nenhum cidadão é livre para frequentar seus templos ou praticar seus ritos sagrados. Seja qual for a fé que professa, para o poder judiciário brasileiro, você não tem o direito de professá-la e nem praticá-la em público, isso é pecado mortal perante a divindade jurídica atual.

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