Quem manda no Brasil?

Colocar um país debaixo de sua influência pelo poder econômico, e esse é o principal argumento de jornalistas e políticos quando ao se referirem à China: “é o nosso principal parceiro econômico”. Nem a KGB obteve tanto sucesso quando o Partido Comunista Chinês.

Por Tiago Augusto

O ano era 2013, escrevi um texto publicado no jornal Diário da Manhã com esse mesmíssimo título. No auge da minha prepotência de alguém que acabara de entrar na vida adulta e pensava entender o mundo, pobre coitado.

Agora o ano é 2021, continuo sem entender das coisas, mas da mesma forma, continuo palpitando.

Ontem Brasília virou um rebuliço, trocas em ministérios, secretarias, todo mundo querendo saber o que estava acontecendo, e olha que nem chegou sexta-feira santa.

No último domingo, o agora ex-ministro das relações exteriores, Ernesto Araújo expôs para quem quisesse ver, a baixeza do jogo político no Brasil. Uma senadora latifundiária, cujo partido, PDT é abertamente um aliado do Partido Comunista Chinês, “informou” ao ministro, que se Ernesto fizesse algum gesto em relação ao 5G, seria “o rei do Senado”.

Ernesto, em seu último ato, literalmente jogou a merda no ventilador e expôs a coronel do Tocantins, como quem diz: “Presidente, a bomba está na sua mão, se vira!”. O embaixador Ernesto Araújo – sim, o homem é diplomata de carreira – vinha sofrendo uma pressão absurda dos párias brasileiros, políticos completamente descolados da realidade do país, pessoas que só pensam no próprio umbigo e em manter o poder na capitania hereditário a qual pertencem.

Dados os acontecimentos recentes, o centrão com as rédeas do parlamento brasileiro,  partiu para o ataque sobre um dos pilares do governo Bolsonaro – sim, Ernesto era um dos pilares deste governo, ao lado de Guedes, as mentes mais lúcidas do Planalto – sob a crítica infundada de o ministro não ter procurado vacinas, o Brasil é o 5º país do mundo que mais vacinou, assinou acordos no primeiro semestre de 2020 para aquisição de vacinas e conseguiu com que as duas maiores populações do mundo – Índia e China – enviassem vacinas e insumos para produção nacional.


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Ao presidente, buscando a tão sonhada governabilidade, não restou outra opção que não fosse aceitar o pedido de demissão do chanceler, aproveitou e deu uma repaginada em seu ministério, fez seis trocas numa tacada só. Bolsonaro quis equilibrar as forças para acomodar interesses dos novos personagens políticos que atuam no congresso, o grupo de Arthur Lira e Fernando Pacheco. Tentou fazê-lo mantendo sua promessa de não lotear o palácio com políticos de carreira, até com um certo sucesso, diga-se de passagem.

Apenas para se ter uma ideia, dos 510 deputados que compõe a câmara federal, apenas 27 obtiveram votos o suficiente para estar lá sem depender do quociente eleitoral, ou seja, sem depender do voto do coleguinha. Você realmente acha que essas pessoas tem algum compromisso com o seu voto?

Bem, esse é o congresso que o país elegeu, não adianta chorar as pitangas, são os congressistas que temos, fazer o que, implodir tudo? Afinal, somos uma “democracia” ou não?

A China, tal qual o predador que sente o cheiro de sangue, enviou seu fiel escudeiro Yang Wanming para sua embaixada no Brasil. Wanming já foi embaixador no Chile e Argentina, olha no que deu.

A tática chinesa é simples e eficaz, o país mais rico do mundo – não tem bolsos para enfiar tanto dinheiro – prefere comprar agentes políticos do que armas de guerra, embora tenha tanto dinheiro que faz as duas coisas. A chamada guerra de 5ª geração tem como sua principal tática influenciar a opinião pública, comprar imprensa, tomar o poder político sem derramar uma gota de sangue. Essa semana a Federação Sindical da China doou R$ 1,7 milhão de reais a sindicatos brasileiros.

Colocar um país debaixo de sua influência pelo poder econômico, e esse é o principal argumento de jornalistas e políticos quando ao se referirem à China: “é o nosso principal parceiro econômico”. Nem a KGB obteve tanto sucesso quanto o Partido Comunista Chinês.

“A verdade liberta e a mentira escraviza. Hoje, a mentira é despudoradamente utilizada para um projeto materialista que visa a escravizar o Brasil e os brasileiros, a escravizar o próprio ser humano e roubá-lo de sua dignidade material e, principalmente, espiritual.” Carta de demissão de Ernesto Araújo, 29/03/2021.

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