Carros e vinhos duas paixões: Se o meu Fusca falasse…

Penélope Charmosa de Zildinha Capeleti, esposa do Presidente da APCAR, Renato Capeleti.

“Ele é um carro atemporal, adorado por pessoas de todas as idades; uns pelas aventuras já vividas e outros, mais jovens, pelas que querem viver.”

Por Gerson Scharnik

No dia 20 de janeiro de 2021, o automóvel que considero o mais popular e amado do Brasil comemorou mais um “Dia Nacional do Fusca”. Carinhosamente chamado de Fuqui, Fuca, Baratinha ou Besouro, entre outros apelidos, foi comercializado no Brasil a partir de 1953 e sua fabricação se inicia em 1959 na cidade de São Bernardo do Campo (SP), tendo sua primeira unidade vendida ao empresário paulistano Eduardo Andrea Matarazzo no dia 7 de janeiro daquele ano.

A história oficial deste pequeno gigante tem seu berço na Alemanha em 1934, quando Adolf Hitler e Ferdinand Porsche assinam um contrato para desenvolver o “carro do povo”, que de acordo com as orientações de Hitler deveria ser robusto, econômico, barato e tecnicamente capaz de transportar dois adultos e três crianças a 100 km/h.

Saiba mais: https://moranosclassicos.blogosfera.uol.com.br/2020/04/11/ha-75-anos-vw-se-libertava-dos-nazistas-para-comecar-a-produzir-o-fusca/

No Brasil foram produzidas cerca de 3,1 milhões de unidades em duas etapas. A primeira de 1959 a 1986 e a segunda de 1993 a 1996, esta a pedido do então Presidente Itamar Franco, com motor movido exclusivamente a etanol, que em justa homenagem ao Presidente, foram apelidados de “Itamar”. A partir de 1962, o Fusca foi líder de mercado por 24 anos consecutivos e, curiosamente ainda hoje, segundo o levantamento do site de vendas OLX, lidera isolado entre os automóveis clássicos mais procurados.

Deixando a história e os dados de lado… ele é um carro atemporal, adorado por pessoas de todas as idades; uns pelas aventuras já vividas e outros, mais jovens, pelas que querem viver. Afinal de contas, aventura é o que o Fusca pode proporcionar, haja vista a quantidade de vídeos que podemos encontrar com as peripécias deste carro, seja para um simples passeio, corridas de arrancada ou rallys, ele está sempre pronto. Reza o ditado que com um alicate, uma chave de fenda, um pequeno rolo de arame, corrente para os pneus e um Fusca… não há viagem que não possa ser feita.

A relação do proprietário com seu Fusca é sempre inusitada; alguns deles passam a ser membros da família com nome e sobrenome, como é o caso deste Fusca 1978 da foto chamado carinhosamente de Penélope Charmosa, pertencente a Zildinha Capeleti, esposa do amigo e Presidente da APCAR[1], Renato Capeleti.

Considero-me um apaixonado por este “carrinho” e tive alguns.  O primeiro foi um ano 1962, que adquiri em 1988, totalmente original, inclusive com o papelão de fábrica no assoalho e motor 1200; enfim uma raridade, cuja história fez parte marcante da minha vida, pois a sua venda em 1992 permitiu que eu concluísse a construção da minha casa. O último foi um 1300, ano 1969, batizado de Horácio[2], em alusão ao personagem criado por Mauricio de Sousa por ser de cor verde.

Enfim, seriam necessárias infinitas páginas para contar todas as histórias onde ele é o protagonista. Então, nos resta desejar a este amigo muitos anos de vida e que ele possa nos proporcionar ainda muitas aventuras.

E se o seu Fusca falasse? Que história ele teria para contar?

Curiosidades sobre o Fusca[3]

  • O auge do Fusca no Brasil foi entre 1972 e 1974. Em 1974 o record:  foram comercializadas 237.323 unidades, incluindo exportações. Até hoje o Gol só conseguiu superar o Fusca em histórico de vendas totais em 2011
  • Em 1950 os primeiros Fuscas chegaram ao Brasil trazendo um detalhe muito peculiar: o vidro traseiro era dividido em duas partes, derivado dos modelos de teste do projeto original, este vidro ganhou o apelido se “split window”
  • De 1950 a 1960, o Fusca ganhou nada menos que 1027 aperfeiçoamentos, especialmente na parte mecânica. Motor e embreagem, por exemplo, receberam 59 alterações nessa época
  • Com mais de 21 milhões de unidades produzidos em todo mundo, o Fusca tornou-se um ícone, amado por milhões de pessoas e com formas reconhecidas em todos os lugares
  • A produção brasileira do Fusca começou em 3 de janeiro de 1959. Ao todo, foram vendidos no País 3.037.190 unidades
  • É o modelo mais colecionado no Estado de São Paulo
  • Bug, Kafer, Type 1, Carocha, Coccinelle, Escarabajo, Maggiolino são alguns exemplos de nomes ou apelidos do Fusca em alguns países
  • No Rio Grande do Sul ficou conhecido como Fuca; no Paraná Fuqui
  • De seu projeto, surgiram ainda outros sucessos, como a Brasília e a Variant
  • No mundo todo a produção foi de mais de 21,5 milhões de unidades
  • Até hoje, o Fusca esta entre os modelos mais fabricados de todos os tempos, seja no Brasil ou no mundo

[1] Associação dos Proprietários de Carros Antigos- APCAR  – http://www.apcar.com.br

[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Horácio_(Mauricio_de_Sousa)

[3] Volkswagen do Brasil e Detran SP <https://www.diariodaregiao.com.br/cidades/2021/01/1219758-dia-nacional-do-fusca–confira-a-historia-do-carro-que-ate-hoje-reune-fas.html>

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