A corte escolheu

Novo ministro da Saúde, cardiologista Dr. Marcelo Queiroga.

“Tenham certeza de uma coisa, Bolsonaro poderia colocar na pasta da saúde um Nobel de medicina, a guerra de narrativas continuaria da mesma forma, quem sofre com isso é o brasileiro médio, no meio do fogo cruzado, nessa loucura de abre-e-fecha sem fim. O pior erro do governo não é escolher nome A ou B, é achar que deve se justificar com imprensa militante todo o tempo. “

Por Tiago Augusto

A corte do presidente Jair Bolsonaro (vulgo centrão) escolheu o novo ministro da saúde. Àqueles que disseram que o presidente não sabe articular, adivinhem o que o “ditador” está fazendo? Articulando com uma base do congresso para possivelmente aprovar as reformas e privatizações, mas é bom sempre lembrar, não confie no centrão, assim como o gabinete do presidente – gerido por milicos – os partidos de centro do congresso têm expertise em puxar o tapete alheio, eles têm “estratégia, em grego strateegia, em latim strategi, em francês stratégie, em inglês strategy, em alemão strategie, em italiano strategia, em espanhol estratégia” como diria Capitão Nascimento.

Borbulharam nomes no último fim de semana, além do escolhido Marcelo Queiroga, a goiana Ludhimila Hajjar foi uma das indicadas pelos fisiológicos do parlamento brasileiro. O nome da médica anapolina gerou um grande bafafá, tiveram até supostas ameaças – já desmentidas pela administração do hotel, ontem, onde ela se hospedou em Brasília. Além de ser contra todas as pautas do governo no combate à pandemia, dizem nos bastidores que Ludhimila chegou à mesa do presidente porque possui boa articulação política, bem, ano passado ela ofereceu um jantar na casa da família para Gilmar Mendes e Rodrigo Maia (as fotos estão na internet, é só procurar), e o atual presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira saiu em defesa da médica, nesse ponto acertaram, ela realmente tem articulação política (se é com as pessoas certas, já é outra estória).


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Voltemos ao antigo ministro da saúde, o principal pecado de Eduardo Pazuello é ser milico, e o presidente ter lotado o planalto com um monte deles. A brasão do exército brasileiro dá arrepios na imprensa militante e orgasmos no meio cultural, lembram os tempos áureos da luta armada durante o governo militar, explodir bancos, sequestrar embaixadores, é disso que esse povo gosta.

O novo ministro, Marcelo Queiroga chegou chegando, além de declarar que “não pode ser política de governo fazer lockdown”, disse também ser preciso “assegurar que atividade econômica continue, porque a gente precisa gerar emprego e renda. Quanto mais eficiente forem as políticas sanitárias, mais rápido vai haver uma retomada da economia”. Queiroga é o atual presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, não se pode dizer que não seja um nome anti-científico.

Tenham certeza de uma coisa, Bolsonaro poderia colocar na pasta da saúde um Nobel de medicina, a guerra de narrativas continuaria da mesma forma, quem sofre com isso é o brasileiro médio, no meio do fogo cruzado, nessa loucura de abre-e-fecha sem fim. O pior erro do governo não é escolher nome A ou B, é achar que deve se justificar com imprensa militante todo o tempo.

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