Fundadores de Jaraguá: quem foi o desembargador João Bonifácio Gomes de Siqueira?

Tela retratos de Jaraguá. Pintura de Maria Helena Romanchelli.

“Como político, grande foi o prestígio do Desembargador João Bonifácio, durante o Império, sendo sua opinião, sobre os negócios da Província, ouvida e acatada pelos estadistas do antigo regime.”

Por Maria Helena

Como quase todos habitantes de Jaraguá, sua origem era portuguesa. É possível citar alguns como seu trisavô José Gomes de Golveia natural de Algarve – Portugal, casou com a paulistana Maria Nunes de Siqueira. Sua esposa é trineta do Capitão da Cavalaria auxiliar do Arraial do Córrego do Jaraguá, Francisco Xavier de Barros em 1766, sendo antes desta data Alferes.

Desembargador João Bonifácio Gomes de Siqueira, nasceu em 13-5-1816, em Jaraguá, é filho do Tenente Coronel Joaquim Gomes de Siqueira e Maria Raimunda Rodrigues de Morais.

Na obra “Através dos Séculos” é possível uma transcrição importante a vida desta figura ilustre para Jaraguá: “A 14 de maio de 1834, seguiu para S. Paulo, a fim de concluir os estudos preparatórios, ali chegando a 25 de junho seguinte. Matriculando-se na Faculdade de Direito, fez ato do 5° ano e formou-se em ciências jurídicas e sociais, a 31 de outubro de 1840, sendo o primeiro goiano, filho de pais goianos, formado em direito, e o segundo a cursar uma escola superior. A 2 de novembro do mesmo ano, deixou São Paulo, chegando a Jaraguá a 4 de dezembro seguinte e, a 4 de abril de 1841, casou-se com sua prima Ana Lina da Fonseca, filha de Francisco de Faria Albernaz e de Emerenciana Rodrigues de Morais”, todos jaraguenses.

A 2 de setembro de 1841, chegou a Goiás, onde residia, recebendo, por ato do Presidente da Província, D. José de Assis Mascarenhas, de 30 de julho de 1842, a sua primeira nomeação para o cargo de Juiz Municipal e de órfãos, interino, do termo da capital, cargo em que foi provido efetivamente por Carta Imperial de 21 de abril de 1843 e que exerceu até 1846. Por Carta Imperial de 29 de maio de 1846, foi nomeado Juiz de Direito da Comarca de Santa Cruz, em cujo exercício esteve até 1851, tendo-o assumido a 28 de setembro de 1846. A 19 de fevereiro de 1848, foi nomeado Chefe de Polícia interino da Província de Goiás, cargo que ainda voltou a exercer em 1851. Por Carta Imperial de 31 de julho de 1851, foi removido da Comarca de Santa Cruz, para a da Capital e nomeado efetivamente Chefe de Polícia da Província, cargo em cujo exercício entrou a 30 de setembro do mesmo ano. Deixando o cargo de Chefe de Polícia, voltou a exercê-lo novamente, em caráter especial, em 1853 (Decreto de 25 de fevereiro).

Por Decreto de 22 de novembro de 1855, foi confirmado no cargo de Juiz de Direito da Comarca da Capital, sendo nessa data substituído na Chefia de Polícia pelo depois Conselheiro Olegário Herculano de Aquino e Castro, a quem, posteriormente, em caráter interino, substituiu a 6 de março de 1858. Nomeado 1.° Vice-Presidente da Província, por Carta Imperial de 25 de fevereiro de 1854, assumiu a administração de 1.° de agosto a 8 de outubro de 1857; de 5 de novembro de 1862 a 8 de janeiro de 1863; de 5 de abril de 1864 a 27 de abril de 1865; de 29 de abril de 1867 a 11 de outubro de 1868; de 6 de outubro de 1870 a 25 de abril de 1871, e de 6 a 9 de outubro do mesmo ano. Nesses diferentes períodos, coube-lhe ligar seu nome a vários e importantes empreendimentos, como o socorro a Mato Grosso, por ocasião da invasão paraguaia; o estabelecimento do mercado da capital no prédio em que hoje se acha; a inauguração da navegação a vapor do rio Araguaia, a 28 de maio de 1868; a fundação dos presídios de S. José do Araguaia e dos Martírios; a instalação da Fabrica de Ferro, nos arredores da Capital; a construção de um largo trecho dos cais do rio Vermelho e muito outros.


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Por Decreto de 18 de fevereiro de 1865, achando-se na Presidência, foi nomeado Desembargador da Relação da Corte, prestando juramento e tomando posse a 18 de julho seguinte. Impossibilitado, por incômodos de saúde, de continuar na magistratura, à qual dedicara 24 anos de lide afanosa, requereu e obteve sua aposentadoria, por Decreto de 20 de julho de 1866, voltando a Goiás.

Como político, grande foi o prestígio do Desembargador João Bonifácio, durante o Império, sendo sua opinião, sobre os negócios da Província, ouvida e acatada pelos estadistas do antigo regime.

Em 18 de Fevereiro de 1878, trinta e dois dos mais representativos chefes políticos de Goiás,” inclusive o jaraguense Inácio Soares de Bulhões, “dirigiram-lhe um manifesto, pedindo-lhe que assumisse a chefia dos elementos políticos dispersos, formando um partido homogêneo e organizado”. “Vimos (dizia o manifesto) pedir a V. Excia. que, aceitando a presente aclamação, digne-se de assumir, entre nós, a posição de centro e chefe do partido liberal em Goiás, e nos reúna sob sua sábia e prudente direção, para todos os efeitos do nosso comum interesse político”.

Esse manifesto, do próprio punho de Félix de Bulhões, foi assinado, entre outros, por Monsenhor Azevedo, Senador Caiado, Felix de Bulhões, Inácio Soares de Bulhões, marechal Abrantes, general Xavier de Brito, cel. Francisco Leopoldo Rodrigues Jardim, Marques Tocantins, João Gonzaga de Siqueira e muitos outros, dando origem à fundação do clube, depois, Partido liberal de Goiás, que teve, como órgão da imprensa, a Tribuna Livre (1878 – 1884) e depois o Goiás. Caráter incorruptível e infenso às maquinações indecorosas da baixa politicagem, bem cedo as desilusões vieram afastar o Desembargador João Bonifácio da vida ativa, sem que ele, contudo, deixasse de continuar a servir a sua  terra como deputado provincial em sucessivas legislaturas e, entre outros cargos, como Inspetor da Instrução Pública, lente do Liceu e do Seminário, presidente do Conselho Fiscal da Caixa Econômica e Monte de Socorro etc.

Adepto fervoroso da emancipação dos escravos, foi um dos fundadores e presidente da Sociedade Emancipadora Goiana. Um traço característico: A 14 de julho de 1855, exercia o Desembargador João Bonifácio o cargo de Chefe de Polícia, deu-se, em Goiás, a última execução da pena capital, com o enforcamento do preto Candinho. O Desembargador João Bonifácio passou, nesse dia, o exercício do cargo a seu substituto legal, para não ser forçado a assistir a um espetáculo que repugnava aos seus sentimentos de humanidade.

Proclamada a República em 1889, o Estado reclamou o auxílio do seu patriotismo e de sua longa experiência. Nomeado, por Decreto do Governo Provisório, Governador do Estado de Goiás, assumiu esse posto de sacrifícios, velho e alquebrado, a 30 de março de 1891, depondo-o nas mãos do Marechal Deodoro a 18 de maio seguinte. Eleito deputado à Constituinte do Estado, presidiu à memorável assembléia que promulgou a Constituição Política de 1.° de dezembro de 1891, retirando-se à vida privada, depois do contragolpe de 23 de novembro desse ano e conseqüente pronunciamento de 19 de fevereiro de 1892 que, subvertendo o principio da legalidade, deu nova orientação à política do Estado.

A 17 de junho de 1901, na casa que habitava, desde 1858, hoje paço episcopal, na praça que tem o seu nome, faleceu o Desembargador João Bonifácio Gomes de Siqueira, aos 85 anos de idade.

Existe uma curiosidade sobre a vida desta figura ilustre. A sua 1º esposa Ana Lima da Fonseca era filha de Francisco Faria de Albernaz e Emerenciana Rodrigues de Morais e a 2º esposa Luiza Maria Rodrigues filha de Custodio Rodrigues de Morais (foi importante em Jaraguá) são netas do Comandante de Jaraguá em 1824 Jerônimo Rodrigues de Morais e sua esposa Luiza de França. Que por sua vez são os pais do 1º medico goiano Teodoro Rodrigues de Morais.

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