O Protagonista da Vida, ou Protagonista da Destruição e da Morte

“O protagonista da vida só poderia ser o homem justamente, pelo fato de que ele é um ser racional. ”

Por Alaor Bruno

O protagonista da vida só poderia ser o homem justamente, pelo fato de que ele é um ser racional, motivo este que apresentaremos as devidas considerações que o faz protagonista de todos os seres vivos e de toda criação.

O homem é um ser dotado de racionalidade, ou seja, possui o poder de raciocinar, pensar, questionar, formular e emitir de modo objetivo e ordenado, os devidos conceitos. O homem em sua totalidade é dotado de corpo material e alma (auto movimento) intelectiva, e é neste ponto que já se distingue dos demais seres vivos, pois, como vimos, os minerais são seres inanimados, não possui uma alma, uma vez que alma indica auto movimento e bem sabemos que os minerais não portam esta capacidade. As plantas possuem alma vegetativa, sendo capaz de realizar somente movimentos programados para a sua sobrevivência como brotar, alimentar-se, realizar a fotossíntese, ou ainda quando na época da escassez de chuva, suas folhas caem para assim sobreviver com o pouco de recurso que a natureza lhe oferece, entre outros. Há ainda a alma sensitiva, nos animais que também possuem funções vegetativas, mas na alma sensitiva o animal se serve da sensibilidade dos sentidos, porém este está condicionado a instintos não tendo liberdade para efetuar atos deliberados.

O homem possuindo funções vegetativas, como circulação do sangue, digestão, cicatrização de ferimentos e outros, sendo vegetativas, estas ações não depende da razão ou da vontade para que se realizem. É dotado também de funções sensitivas desde os sentidos externos que se serve dos órgãos como a visão, tato, olfato, audição e paladar, até os sentidos internos onde as informações recebidas pelos sentidos externos são processadas, é claro que também no ser humano ocorrem reações instintivas, ou seja, próprias de sua natureza. É um ser de razão capaz de conferir-lhe atos livres, pensados, contextualizados e planejados.

Até aqui somos iguais aos animais, mas o diferencial vem agora, possuindo todas estas faculdades o ser humano possui intelecto (razão): capacidade de perceber a realidade, abstrair e formular conceitos, e definir aquilo que de fato é, ou seja, tudo que existe. A razão que confere ao homem liberdade possibilita o direito de querer ou não, é a razão que dirige os atos humanos através de uma boa educação de como agir. Aqui entra a ética da qual trataremos de modo especifico a frente.


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Quando falamos de alma, falamos de realidades que não se pode apalpar, ou seja, são realidades imateriais por isso a mesma é concedida por outro. O Supremo Criador infunde em suas criaturas a alma. Esta realidade imaterial não pode provir da matéria, mas somente de algo que é Puro Espírito, admitir a existência de algo imaterial não é fácil, pelo fato de que os sentidos externos não são capazes de captar, mas não é impossível conhecê-la por meio da razão. O homem composto de corpo e alma tem necessidades materiais e espirituais, assim como é vulnerável as mazelas do corpo e do espírito. Um bom exemplo é a depressão que é uma realidade espiritual, ela existe, mas não se pega a depressão e coloca numa caixa e a entrega para uma pessoa, mas reforço ela existe, isso nos prova as realidades espirituais. Vejamos as particularidades da alma humana:  

“A alma humana é que faz o homem ser homem, é que o faz distinguir-se especificamente e inclusive dos outros viventes que lhe são mais próximos. Ora, o homem é homem e difere especificamente dos animais porque conhece com a inteligência e quer livremente. Logo, a alma formal e especialmente humana é a alma intelectivo-volutiva”. (CAROSI,1963, p. 420).[1]

Por isto, dizemos que o homem é o protagonista da vida, justamente por ter estas capacidades que o fazem único diante a adversidade biológica. Estas capacidades permitem que ele domine sobre toda a Terra, plantas e animais. É importante conhecer as dimensões metafísicas citadas acima para podermos entender o papel do ser humano no planeta vida, que aqui podemos chamar de ecossistema.

De fato, por esta ação intelectiva, ele domina sobre todas as espécies, e se serve de cada uma delas para a sua própria subsistência, seja de um modo direto como os recursos naturais, bem como alimentos, matérias primas para vestuário, moradia entre outros, como água, calor minerais etc., ou indiretamente dos agentes naturais responsáveis por manter a ordem na natureza, em seus ciclos ou sistemas, garantido assim o equilíbrio no planeta.

Portanto, numa visão ética cabe ao homem perguntar-se como deve ser seu proceder perante este bem, que por uma causa superior de um Ser Sublime lhe foi comunicado, e por isto ele é responsável de velar por esta comunidade da vida, e de garantir sua subsistência para longas datas, garantindo sempre às futuras gerações a oportunidade e o direito de usufruir dos recursos que a Terra proporciona.

Este protagonista nem sempre se perguntou sobre suas ações, em relação ao planeta da vida e servindo-se de seus recursos, foram os explorando sem se preocupar na realidade de que os tais recursos poderiam se esgotar. Hoje percebemos uma grande preocupação quanto a isto, pelo fato de que já se podem ver sinais de um planeta que foi sugado e bastante explorando. E as reações são perceptíveis quanto a isto.

“A maioria das teorias econômicas desenvolvidas até o século XX, esteve baseada no estudo da evolução humana sobre a terra e sua capacidade de produção. A humanidade, em função de suas necessidades crescentes, passou a aumentar o nível de sua interferência nos processos naturais, imbuída pela convicção de poder dominar a natureza. Pelas mudanças Tecnológicas introduzidas pela revolução industrial, iniciadas em meados do século XVIII e que se expandiu até os nossos dias, ou seja, há apenas 250 anos, os seres humanos obtiveram a base do conhecimento da tecnologia que acelerou sua intervenção no ambiente.” (SEIFFERT, 2008, p. 19 – 20).[2]

O protagonista da Terra nem sempre esteve em harmonia com os demais membros de sua casa, por isto veem-se estes resultados negativos no qual citamos alguns temas, que obviamente são as maiores preocupações no que desrespeita a conservação do meio ambiente, como o aquecimento global bem como seus impactos as mudanças climáticas como, por exemplo: calor excessivo, longas secas, muitas tempestades etc., aumento do nível do mar, que é consequência do derretimento das geleiras, o esfacelamento da camada de ozônio, e sua consequência a maior infiltração dos raios ultravioletas.

Pode se constatar também a gravidade da crise hídrica que tem preocupado diversas cidades do mundo inclusive no Brasil, país que possui uma abundante reserva de água, este fato assola as populações sejam estas de cidade pequenas ou vilarejos até as grandes metrópoles. Estamos testemunhando um planeta que grita por socorro, pelos agravos cometidos a este a vida torna-se morte. O homem nestes termos deve priorizar a vida e não o acumulo de dinheiro, de riquezas desmedidas num egoísmo a respeito da exploração dos recursos naturais. O Planeta Vida pertence a todos em todos os tempos e não a certos no hoje utilitarista.

De protagonista da vida à protagonista da morte, um avanço na destruição do planeta fruto da ação do homem, envergonha o ser humano, pois dotado de inteligência deveria ele formular disciplinas que priorizassem a vida, algo que não aconteceu, mas ainda a tempo. É louvável, e feliz que alguns homens acordaram para tal realidade, de preservar nosso planeta, de pensar numa ética ambiental, e de executar políticas públicas para preservar o mesmo. Porém ainda existe muita resistência por parte de nações capitalistas pragmáticas e utilitaristas que veem suas atividades econômicas ameaçadas, sobre a preservação do mundo tendo em vista que a Terra é patrimônio de todos e não de uns. Por isso que devemos estabelecer posições éticas do homem quanto à vida no planeta, e alternativas para viver num mundo sustentável.


[1] CAROSI, Paulo. Curso de Filosofia. Volume III. São Paulo: Ed. Paulinas, 1963.

[2] SEIFFERT, Nelson Frederico, Política Ambiental Local. Florianópolis: Ed. Insular, 2008.

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