O Show de Truman tupiniquim

Nenhum seminário, curso ou palestra da turma da “alta cultura” conseguiu fazer o que está acontecendo em nosso Show de Truman tupiniquim. Foi provado na própria pessoa dos justiceiros sociais ideológicos que eles são um tipo mesquinho e hipócrita ao ponto de zombar de quem adere aos seus ensinamentos.

Por Tobias Goulão

Inegável que muitos utilizam máscaras sociais (e não me refiro a que está imposta pelas autoridades sanitárias atualmente). São comuns pessoas se comportarem de forma diferente em lugares diferentes. Mas o que preocupa é quando toda a personalidade no âmbito social não está nenhum pouco relacionada com quem a pessoa é de fato. Quando alguém entra em sua solidão (ou o esquece que pode haver alguma observação externa) acontece de não usar máscaras, de não mentir nem mesmo para si, e nessa condição é indiscutível o aparecimento do verdadeiro “eu”, aquele que sempre vem à tona quando as máscaras são postas de lado.

A criação do “eu social” completamente discrepante da realidade da consciência da pessoa é uma mentira que permeia todos os campos daquela vida. Se a pessoa entra no campo ideológico, deixa de lado a coerência externa e interna com o mundo, passando a agir para simplesmente conseguir seu objetivo, mentido sobre si e sobre o mundo. A pessoa esquece que, no mais íntimo, mesmo tentando se enganar durante um tempo, sabe o quanto aquilo tudo que fala e faz não passa de um papel, uma enganação. Na solidão da interioridade, onde apenas o Juiz Onipresente está (quer queiram ou não), não há maneiras de se esconder da verdade. No fim, tudo será revelado. Mas ainda assim, com inúmeros tratados sobre a necessidade de ser uma pessoa com unidade de vida, alguém íntegro, sem fragmentações, nos deparamos sempre com pessoas falsas ao ponto de ficarem irreconhecíveis se conhecidas na intimidade. Apresentam-se sempre como “gente do bem”, sempre antenados e promotoras das mais variadas causas sociais, ajudam criancinhas na África, mas são simplesmente podres, sarcófagos de vermes pútridos, cuja alma é como o encontramos no Retrato de Dorian Gray.

A luta de cada pessoa que procura pelo real amadurecimento é ter noção da sua unidade de vida. Ser ao invés de parecer ser. Ao ponto que um “eu social” venha a refletir claramente essa unidade e não outra pessoa que se esconde na máscara de “bom mocismo” para agradar e conseguir influenciar. Essa realidade de mentiras não cabe em quem espera o amadurecimento e o crescimento pessoal em uma vida com sentido claro. Já a postura hipócrita é a de quem vê no outro uma coisa, não uma pessoa, que algo possa ser manipulado para atender seus desejos obscuros. É a forma de reação de quem não consegue lidar com a complexidade do mundo real em suas certezas e incertezas, e por isso inventa na própria mente uma realidade alternativa e espera adequar todo o restante das pessoas ao seu mundinho de faz de conta.

As ferramentas para esse tipo de ação são as mais variadas. Vão desde a força física, o poder instituído ou usurpado, até a coerção movida por um grupo ou por um indivíduo de força manipuladora. Em alguns casos esse indivíduo manipulador se municia de uma série de teorias absurdas e descoladas do mundo. São coisas válidas apenas na cabeça de ideólogos e seus mundos coloridos cheios de unicórnios (que chegará a esse estágio devido à “reeducação” dos não adeptos ou a própria aniquilação dos que foram contrários). A questão é que nem todos conseguem compreender os problemas claros instalados nessas ideologias, nas palavras e ações de quem as propaga. Assinalar o que está por trás da máscara é difícil, considerando a manipulação utilizada e todo o apoio da “gente do bem” e meios de comunicação para os corruptores hipócritas.


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As formas como eles agem é agressiva para chamar atenção. São como aquelas crianças manhosas a gritar e espernear porque alguma coisa não está como queriam que fosse. De posse de meios de comunicação que escondem o lado podre e podendo manipular a própria imagem para sempre parecer do bem, enganam e sempre passam por gente injustiçada. Alguns casos são tão agressivos que conseguem penalidades terríveis aos seus contrários. E um dos pontos que dá muita visibilidade para os ideólogos influenciadores é o uso da linguagem politicamente correta. Esta sensibiliza uma grande parcela das pessoas e, se não conseguirem encontrar uma contradição descarada, ficam facilmente do lado do ideólogo.

A grande questão é que, tem peças de publicidade progressistas atualmente servindo melhor para o combate da hipocrisia politicamente correta que muitos debates entre autores, ou exposição de livros e até mesmo todo um apelo para a instrução cultural das pessoas no geral. Vejamos que, deixar um ideólogo falar livremente, sem amarras, esquecendo de que existe uma plateia, pode mostrar claramente quem ele é. Como diz um adágio: “deixar um comunista falar é a melhor propaganda anticomunista”. Aqui a lógica é a mesma.

Guardar um bando de “influenciadores” em uma redoma de vidro e observar o seu comportamento parece ter sido uma invenção genial. Esse ambiente testará a coerência de cada um dos participantes que se subjugaram a ser parte dessa espécie de zoológico humano. Eles estão sem máscara mostrando o quanto mentem sobre tudo que dizem viver.

É simplesmente indispensável o que acontece e isso deve ser ressaltado. Os que se julgavam como “gente do bem” contra os “autoritários, antidemocráticos, fascistas, racistas, agressivos e controladores” estão mostrando a si mesmos de forma bem diferente. A militância ideológica está sendo exposta como é: eles que são, na verdade, os autoritários, antidemocráticos, fascistas, racistas, agressivos e controladores. São exatamente aquilo que acusam os outros de serem. Em certas situações são ainda piores do que os xingamentos direcionados aos outros. São perversos disfarçados somente esperando a ocasião de colocarem as garras.

Dificilmente seria possível pensar que um programa criado justamente para realizar experimentos de engenharia social para medir o nível de aceitação de mudanças bruscas de paradigmas fosse dar esse tiro no pé e mostrar o quanto a militância ideológica da “lacração” é insuportável. Nenhum seminário, curso ou palestra da turma da “alta cultura” conseguiu fazer o que está acontecendo em nosso Show de Truman tupiniquim. Foi provado na própria pessoa dos justiceiros sociais ideológicos que eles são um tipo mesquinho e hipócrita ao ponto de zombar de quem adere aos seus ensinamentos. Ninguém esperaria que seria a própria cobra a provar de seu veneno, a se engolir pelo próprio rabo, e expor, em todos os cantos dos nossos tristes trópicos, aquilo que vem sendo discutido há muito tempo.

Ao final temos uma mensagem importante, que é sobre a hipocrisia que envolve os nossos ideólogos justiceiros sociais. Ao esquecer que estão sob constante vigilância naquele mundo de vigilância constante deixam transparecer a podridão da sua pessoa. Sem poder ficar de máscara o tempo todo, acabam por revelar a face maléfica por trás da tentativa de parecer boa gente. O mais importante é que não poderão julgar que “o inferno são os outros” porque está claro como cristal a condição pessoal do ideólogo(a) ser alguém responsável e consciente de toda a desgraça que propaga, de toda a hipocrisia sustentada e que toda a conversa de “empatia”, “sororidade” e qualquer outro jargão/grito de guerra da militância é só uma forma de esconder o quão mentirosos são.

No fim das contas, todos que denunciaram essa militância ideológica de justiceiros sociais “do bem” ficam felizes e tem mais formas de mostrar como esse tipo de gente é. Se antes faltavam exemplos, agora é só criar uma redoma de vidro dessas, todo ano, com a alta “intelectualidade influencer” do país e em alguns anos ninguém mais cai nessa conversa fiada de progressista bonzinho. Seria muito bom conseguir revelar ao maior número de pessoas a maldade escondida no íntimo de toda a “gente do bem”. Mas vamos nos contentar em ter expostos, por hora, na tela do Grande Irmão, só a postura da militância da lacração de nossos dias. E vamos lembrar que a melhor forma de mostrar o quanto são hipócritas é deixar que falem sem edição ou cortes.

É na vida real que entendemos não ser a ideologia o sustentáculo de nosso mundo. Elas só surgem para destruir o que temos. O mundo em que vivemos é feito do esforço real, não de cara bonita falando coisas docinhas, mentido para conquistar seguidores. O mundo que temos foi feito de sangue, suor, trabalho e lágrimas reais, em campo de batalha ou no trabalho cotidiano. Conversa de militante deixamos para o entretenimento de desocupados. Ou usamos para mostrar quem realmente são.

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