O que muda no Congresso nacional?

“O clima para reformas estruturantes em um estado ineficiente para tornar a máquina pública mais eficiente nunca foi tão favorável. É preciso aproveitar isso, os próximos dois anos serão decisivos, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco tem uma chance de ouro nas mãos, marcar seus nomes na história do Brasil.”

Por Tiago Augusto

A eleição dos novos presidentes da Câmara e Senado não é um motivo de comemoração completa, mas a saída de Davi Alcolumbre, e principalmente Rodrigo Maia é ocasião de celebração.

Os exemplos dos próprios Alcolumbre e Maia há dois anos atrás nos ensinam a colocar as barbas de molho. A forma como foram eleitos em 2018 sob promessas de pautar reformas estruturais no estado brasileiro, e depois engavetaram todas as reformas com exceção da previdenciária fazem com que tenhamos os dois pés atrás com Arthur Lira na Câmara e Rodrigo Pacheco no Senado.

As eleições municipais ano passado, a eleição das mesas diretoras do parlamento brasileiro ontem, mostraram que o famoso centrão conquistou um poder absurdo. Centrão é aquela massa amorfa, partidos fisiológicos que fazem política em troca de benesses para si e seus camaradas.

No caso mais crítico, o da Câmara Federal, Rodrigo Maia foi enfeitiçado pela voz do capetinha do mal que fica ao pé do ouvido e destila o veneno da cobiça de poder. O ex-presidente da câmara cogitou a possibilidade de conquistar uma possível presidência da república em 2022, para tanto, aparecia todos os dias na imprensa e dava coro à imprensa militante que quer ofuscar uma popularidade de Jair Bolsonaro, entrou em rota de colisão com Paulo Guedes e a agenda econômica elogiada mundo afora, mas sua maior conquista foi conseguir – em articulação junto ao STF – a cabeça de Abraham Weintraub no ministério da educação, justamente pelo ex-ministro meter o bedelho em um apaniguado seu no MEC, oram vejam só, que disparate!

Maia criticou frequentemente o presidente Jair Bolsonaro por usar demais as redes sociais, entretanto, ele usou o mesmo artifício para desestabilizar o atual governo e impor sua agenda pró-establishment.


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O agora ex-presidente da Câmara – codinome Botafogo na lista da Odebrecht – saiu da presidência pela porta dos fundos de maneira melancólica, perdeu a oportunidade de ser lembrado por promover as reformas estruturantes que o país precisa, ao contrário, será lembrado por, apesar de colocar em votação a reforma da previdência, querer aparecer mais que qualquer político brasileiro – a disputa com Doria, Covas, e os 11 togados é dura – e constar na lista de propinas do maior esquema de corrupção da história nacional.

Já Davi Alcolumbre, no senado, foi mais low profile, não dava entrevistas, também possui processos por corrupção parados no STF, teve uma passagem mais discreta, menos danosa eu diria.

Sobre os novos presidentes das casa legislativas, sabe-se pouco sobre Rodrigo Pacheco, o novo presidente do Senado. Apoiado por Davi Alcolumbre, Pacheco está em seu segundo cargo eletivo, é aquele novo que nem sempre se mostra bom, já o novo presidente da câmara, Arthur Lira é uma figura tradicional do centrão, já é figurinha marcada no congresso há algum tempo, possui 2 processos por corrupção no STF, datados dos governos petistas. Em suma, saiu Botafogo e entrou o quadrilhão do PP.

O fato positivo disso tudo é que mais de 100 mil pessoas acompanharam – só pela internet – a eleição dos presidentes do senado e câmara federal, talvez um amadurecimento político da população? Pode até ser, mas no Brasil não se fará nenhuma abertura política ou econômica sem antes a abertura da inteligência, é a afirmação de Olavo de Carvalho.

O clima para reformas estruturantes em um estado ineficiente para tornar a máquina pública mais eficiente nunca foi tão favorável. É preciso aproveitar isso, os próximos dois anos serão decisivos, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco tem uma chance de ouro nas mãos, marcar seus nomes na história do Brasil.

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