Centrão e judiciário unidos

“É a velha política brasileira do uma mão lava a outra, essa parceria duradoura ainda vai longe.”

Por Tiago Augusto

Por decisão de Ricardo Lewandovski – aquele que mandou o passageiro que compartilhava o mesmo voo ser preso pela PF por criticá-lo – um dos onze iluminados do Supremo Tribunal Federal, foi aberta investigação de 60 dias contra o ministro da saúde Eduardo Pazuello.

Pessoalmente não tenho nada contra o General que ocupa o ministério da saúde, além do fato de ser milico e possuir essa ideologia tecnocrata que permeia o meio militar brasileiro, de supremacia da técnica em detrimento de qualquer outro tipo de conhecimento e crença.

O grande ponto neste fato é, mais uma vez os supremos ministros editores da nação chamarem para si a autoridade sobre decisões políticas no Brasil. A “contratação” e demissão de um ministro bem como o julgamento de sua competência é prerrogativa de seu patrão, o presidente da República, em última análise o povo que elegeu o atual governo.

Ministério Público, Supremo Tribunal Federal, Supremo Tribunal de Justiça e togados por todo o Brasil, há muito colocaram sob sua avaliação todas as decisões políticas do Brasil, cerceiam a liberdade constitucional para tomada de decisões governamentais dos ocupantes de cargos eletivos. Só no ano passado foram mais de 115 mil canetadas, apenas a título de comparação, a Suprema Corte Americana analisa 100 casos por ano.


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No caso específico da decisão de investigação sobre o ministro saúde, o pano de fundo é a pressão política dos partidos fisiológicos – MDB, PP, DEM e tutti quanti – carinhosamente chamados de centrão para adquiri poder político e financeiro com vistas às eleições do próximo ano.

Uma vez proibido o financiamento de campanha com dinheiro privado, os partidos e agentes políticos – que não sabem fazer campanha com pouco dinheiro – querem estar à frente de ministérios como o da saúde, por possuir uma das maiores capilaridades por todo o país, atua em todos os estados e municípios, e possui um dos maiores orçamentos da União, dinheiro é tudo o que esses salvadores da pátria precisam, um Estado grande e poderoso para atender a todas as suas necessidades.

Essa aliança espúria entre imprensa militante, judiciário e políticos do centrão já nos proporcionaram, através de Davi Alcolumbre – presidente de saída do Senado – arquivamento de todos os pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o procurador-Geral da República, Augusto Aras. Foram 38 processos engavetados, em 22 de dezembro, último dia do ano legislativo, dos 38 pedidos, 36 ações miravam os juízes do STF, de acordo com noticiado pelo jornal O Globo — sendo 17 só nas costas de Alexandre de Moraes, relator do inquérito inconstitucional das fake news e da investigação ilegal que apura supostos atos antidemocráticos.

É a velha política brasileira do uma mão lava a outra, essa parceria duradoura ainda vai longe. Vale recordar Paulo Francis, um dos maiores jornalistas polemistas que passaram por essas terras: “Importância infantil que se dá a eleições presidenciais, quando há todo o congresso a considerar, Constituição, e a alta média burocracia encravadas, a máfia dos governadores estaduais etc, dispensa comentário sério”.

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