Fundadores de Jaraguá: quem foi Fernando Bicudo de Andrade?

Estes deixaram grande descendência, e esta que aos poucos foram assumindo outros sobrenomes de família como: os Rodrigues, Leite, Andrade, Barros, Rocha, Guimarães, Pimentel Abrunhosa, Soares, Amorim, Martins, Oliveira, Gomes, Gonçalves, Aguiar, Bueno, etc e ainda, centena de escravos seus que levam o seu nome.

Por Maria Helena

O livro “genealogia paulistana” de Luiz Gonzaga da Silva Leme, mostra um trabalho histórico belíssimo. Ao completar o livro “Nobiliarquia Paulistana”, escrita pelo amigo do Anhanguera, Pedro Taques, nas págs. 296-469, fala da família Bicudo em São Paulo.

Chegaram ao Brasil, bem antes de 1610, vindo da ilha de São Miguel em Portugal, os irmãos Antônio e Vicente Bicudo, adquiriram terras cultiváveis e faisqueiras no pico do Jaraguá. Estas tornaram-se de grande importância no desenvolvimento de nosso país.

Antônio Bicudo era trisavô de Fernando e tetravô de sua esposa Maria Leite do Rosário Chassim. A família Chassim, cuja ascendência consta no mesmo livro, da pág. 527-554, são oriundos da cidade de Portimão, no reino de Algarve. O filho de Rodrigo Simões e Joana Jorge Chassim, chegou ao Brasil, Gonçalo Simões Chassim, de sangue nobre português, e aqui estando, casa-se com Maria Leme de Brito, bisneta de Antônio Bicudo acima referido.

O capitão Rodrigo Bicudo Chassim, sexto filho deste casal e sogro de Fernando Bicudo de Andrade, faleceu em 1742, não sem antes deixar seu nome gravado em bravuras e honrarias. Uma delas foi enfrentar a última invasão dos franceses ao Rio de Janeiro, em 1711, juntamente com potentados paulistas, levando consigo, 200 homens mantidos e armados à suas próprias custas. Ajudou também nas minas de Cuiabá onde foi seu 3º juiz ordinário em 1727 e ouvidor em 1729. Construiu a igreja n. Sra. da Penha em Araçariguama, onde casou sua primeira filha, Maria Leite do Rosário Chassim, com seu amigo e companheiro de aventura, Fernando Bicudo de Andrade.

Fernando era filho de Melchior de Andrade e Maria Bicudo de Brito (falecida em 1710). Nasceu da ramificação dos bicudos que se dirigiram para Guaratinguetá.

Após acompanhar seu sogro, já com quatro filhos adolescentes, dirigiu-se com o Anhanguera para as minas da província recém-nascida de Goyas. Construiu a igreja de Santo Antônio e se estabeleceu na região entre Jaraguá e Pirenópolis.

Era um homem de muitos escravos. Exaurido de perto da sua casa, o ouro aproximou-se mais do córrego do Jaraguá, e pelo que tudo indica continuou a tradição familiar. Iniciou a construção da igreja Nossa Senhora da Penha, mas do outro lado da serra (longe do fechado Mato Grosso Goiano onde já estava a capela de São José e o pequeno arraial do Córrego do Jaraguá).

Em 1732 foi convocado para comandar Meia Ponte, pois o fundador dali, Manoel Rodrigues Tomar, havia sido expulso por ordem do governador de São Paulo. Transferiu-se depois com toda sua família para a nova Jaraguá (do outro lado da serra) e aos poucos os moradores do antigo arraial foram se mudando também.

Através de seus filhos, Maria Joana Leite que casou com Antônio Luis Lisboa, foi para Vila Boa em 1749. Gertrudes Leite de Andrade casou com André Correia Toledo, Rodrigo Bicudo de Andrade casou com Maria Leite e Atanásio Leite de Andrade casou com Agostinha Rodrigues Bueno.

Estes deixaram grande descendência, e esta que aos poucos foram assumindo outros sobrenomes de família como: os Rodrigues, Leite, Andrade, Barros, Rocha, Guimarães, Pimentel Abrunhosa, Soares, Amorim, Martins, Oliveira, Gomes, Gonçalves, Aguiar, Bueno, etc e ainda, centena de escravos seus que levam o seu nome.

Fernando Bicudo de Andrade é citado em muitos outros livros, confira em “história de Jaraguá”.  Morreu e foi enterrado juntamente com sua mulher, dentro de igreja Nossa Senhora da Penha de Jaraguá.

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