Corruptos genocidas!

“O ano de 2020, se serviu para alguma coisa foi para deixar claro no país que quem dá as cartas no jogo político é o judiciário brasileiro, não há uma decisão de um governante, e me arrisco a dizer, de qualquer cidadão comum, que não esteva passando sob o filtro de um togado.”

Por Tiago Augusto

A última semana foi ocasião de assistirmos, todos indignados, a crise de falta de oxigênio para hospitais do estado do Amazonas. Adicionado a isso vimos as narrativas de que o sistema de saúde no país, e em especial no estado da região norte, podem colapsar por conta do coronavírus. O fato é, o sistema de saúde brasileiro está colapsado sabe-se lá desde quando!

Os esquemas de corrupção formados por políticos, empresas privadas e imprensa oficial, são situações com que convivemos também sabe-se lá desde quando. Ano passado, a pandemia de desespero implementada na sociedade, não pela existência do vírus em si mas pela ganância e fome de poder dos poderosos – públicos e privados, não é possível que se separe os dois espectros – resultou não só em repasse emergencial de verbas federais na casa de mais de R$ 400 bilhões de reais segundo o Portal da Transparência do Governo Federal, e somado a este pacote, o Congresso Nacional autorizou a compra sem licitação para aquisição ou contratação de bens, serviços, inclusive de engenharia, e insumos.

Já sabíamos onde essa medida maluca poderia dar. Com a necessidade de licitação, o país todo testemunha dia após dia desvio de verbas sem o menor pudor, e graças à parceiragem dos chapas do Supremo Tribunal Federal.


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Acerca dos nossos iluminadíssimos ministros do STF, é possível fazer uma lista sem fim de decisões absurdas de todos os tipos proferidas pelos onze intocáveis durante o ano de 2020, desde proibir ações policiais contra bandidos, proibir campanhas contra isolamento social, prisão de jornalistas, proibição de manifestações públicas, soltura do chefão do PCC, até se recordarem de que o Brasil é uma federação e os Estados e Municípios até gozam de certa liberdade de ação – quando convém.

O ano de 2020, se serviu para alguma coisa, foi para deixar claro no país que quem dá as cartas no jogo político é o judiciário brasileiro, não há uma decisão de um governante, e me arrisco a dizer, de qualquer cidadão comum, que não esteva passando sob o filtro de um togado.

Chegamos ao absurdo de ver, após a decisão dos ministros de que as medidas contra a COVID-19 seriam de estrita competência de estados e municípios. O ministro Ricardo Lewandovski determinou, na última sexta-feira (15) que o Palácio do Planalto tome ‘todas as ações ao seu alcance’ para resolver o problema de Manaus. Lewandovski disse não ser ‘dado aos agentes públicos tergiversar sobre as medidas cabíveis para debelar pandemia, as quais devem guiar-se pelos parâmetros expressos na Constituição e na legislação em vigor, sob pena de responsabilidade’. Ora senhor ministro, o que mudou de abril do ano passado para cá, não era competência dos entes federativos cuidar de suas próprias realidades? O que mudou na interpretação do TÍTULO III da Constituição Federal?

O fato é que a Polícia Federal, anda investigando desvios de verba Brasil afora, as operações já atingiram governos de nove estados brasileiros, desde comprar respiradores em loja de vinhos em Manaus, até serviço de jardinagem em hospitais de campanha que nunca funcionaram no Rio de Janeiro. Lá no Amazonas – local que passou pela crise de oxigênio mencionada no começo desse artigo – a secretária de saúde foi presa em uma dessas operações da PF. Os desvios já ultrapassaram a casa do bilhão de reais.

Mesmo com apelos do ministro da economia Paulo Guedes ao Congresso pela fiscalização de gastos, para que as verbas fossem devidamente aplicadas, assistimos ao festival do covidão.

Corrupção mata, e mata muito. Fico imaginando quantas vidas poderiam ter sido salvas com a correta aplicação das verbas disponibilizadas pelo governo do presidente Bolsonaro, ou melhor, quantas das mais de 209 mil mortes estão na conta desses corruptos? Podemos dizer que são genocidas? Sim, acho que podemos, na verdade esse é o nome correto. STF, políticos, imprensa e grandes empresários da turma do fiquem em casa, corrupção mata, e mata muito!

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