Nazismo de luvas brancas.

“Enquanto não retornarmos ao que foi esquecido no Renascimento, não recolocarmos o espírito cristão em nossa cultura, o genocídio silencioso ou “nazismo de luvas brancas” continuará a acontecer”

Por Tiago Augusto

Na última semana do ano de 2020 assistimos à aprovação do aborto pelo Senado Hermano argentino. Essa prática nefasta adotada há milênios – desde os gregos – é combatida pela cristandade desde os seus primórdios.

O historiador britânico Christopher Dawson, e o brasileiro filósofo do Direito, José Pedro Galvão de Sousa como muitos outros, destacam a importância da Igreja Católica na implementação de valores superiores aos bárbaros sem extinguir a bravura dos guerreiros, após a queda do Império Romano.

A existência de uma Lei Natural, de um imperativo moral que recai sobre o ser humano em todos os seus aspectos deve ser a fonte primária de toda lei positiva – lei escrita – da sociedade.

Por isso quando os revolucionários do séc. XVIII e depois deles todos os que os sucederam, arrogam para si a criação de leis e declaram o Império da Lei sobre as nações, não estão somente procurando ordenar uma sociedade impondo limites ao Estado e às pessoas. Estão excluindo o fator do direito natural, o imperativo moral intrínseco ao povos, em suma, estão tomando o lugar de Deus criador, pois o termo criar pressupõe tirar do nada, trazer à vida.

O que assistimos acontecer na Argentina – governada por comunistas declarados – é propriamente o contrário de trazer à vida.

“O abortista não poderia ceder nem mesmo ante provas cabais da humanidade do feto, quanto mais ante meras avaliações de um risco moral. Ele simplesmente deseja correr o risco, mesmo com chances de 0%. Ele quer porque quer. Para ele, a morte dos fetos indesejados é uma questão de honra: trata-se de demonstrar, mediante atos e não mediante argumentos, uma liberdade autofundante que prescinde de razões, um orgulho nietzschiano para o qual a menor objeção é constrangimento intolerável.” (Olavo de Carvalho, 1998)

Essa corrida pró-aborto tem acontecido em todo ocidente. O que estamos presenciando atualmente é apenas seu ato final, o trabalho começou a ser feito na cabeça das pessoas muito antes do que se imagina. A idade média com o intento cristão e limitada politicamente como a era, pela fé enxergava todos os homens como filhos de Deus e reconhecia os direitos naturais de todos os homens.

O período pós-Idade Média, a chamada Renascença que ao contrário do que nos é ensinado, não resgatou a cultura greco-romana – pois ela nunca foi esquecida – mas retirou dela o espírito cristão, fator que a eleva ao transcendente, ou seja, à Deus o fim último do homem.


Leia também: A ditadura do judiciário


Retornando o espírito greco-romano e o princípio da suprema lex – ou the rule of law – retorna à ideia romana de que a vida é equiparada a uma coisa, como escravos e estrangeiros por exemplo, que não possuíam direitos. Daí passamos pela Revolução Francesa, Revolução Russa, Revolução Cultural de 68 e culminando na situação caótica do século XXI.

As cenas que vimos em praça pública no país vizinho após a legalização do aborto foram nefastas, a medalhista olímpica e jornalista Ana Paula Henkel usou uma palavra que definiu bem as imagens que rodaram o mundo: demoníacas.

Para os desavidados, a ONU já promove o aborto no mundo há quase 30 anos. Possui inclusive um fundo para tanto, o UNFPA (Fundo da População das Nações Unidas) possui um nome bonito, mas com intenção contrária ao título, pura semântica barata. Já em 1994 durante a Conferência da ONU no Cairo o UNFPA estabeleceu os projetos por trás do nome. Em 2002, abortistas de 70 países reunidos na cidade canadense de Ottawa assumiu a promessa de globalizar o aborto, ratificando o que havia sido decidido no Cairo/94 e listando os objetivos, dentre elas: a) Conseguir que se dedique entre 5 a 10 por cento das verbas de desenvolvimento nacional a programas anti-população; b) Fazer todo esforço possível para consegui o acesso universal a “serviços de saúde reprodutiva” (aborto e controle natal artificial massivo) para o ano de 2015. A lista completa pode ser vista em http://www.popin.org/~unpopdir/freglac.htm.

No Brasil o start já foi dado também, nossa legislação permite aborto em caso de estupro, e existe uma disputa enorme de protagonismo em Brasília para decidir sobre aborto legal ou não entre o Congresso – sujeito a pressões populares – e o STF que não dá a mínima para os brasileiros. O ministro Barroso já chegou a declarar que “mulheres não são úteros a serviço da sociedade” para sustentar seu posicionamento assassino. O ministro recém empossado Kássio Nunes Marques se disse pró-vida mas “reconhece o direito ao aborto em caso de estupro”. Sobre o tema do caso de estupro, talvez o ministro não conheça o Pró-Vida de Anápolis, sob a presidência do Pe. Luiz Carlos Lodi, que em seu site traz vários relatos de mulheres estupradas que tiveram seus filhos, e com acompanhamento devido não abortaram e falam do amor pelos filhos, os relatos estão no site http://www.providaanapolis.org.br.

Em julho do ano passado o Papa Francisco declarou que “no século passado, o mundo inteiro ficou escandalizado com o que os nazistas fizeram para purificar a corrida. Hoje, fazemos a mesma coisa, mas com luvas brancas”. Triste que no país natal de Francisco, tenhamos assistido a uma das cenas mais macabras da última década.

Não se iludam, a legalização por completo – como já existem em alguns estados americanos e para onde caminha a Argentina a passos largos – chegará ao Brasil, afinal na cabeça desses genocidas não existe nenhuma diferença entre matar um ser humano no ventre da mãe e matá-lo depois que saiu.

Enquanto não retornarmos ao que foi esquecido no Renascimento, não recolocarmos o espírito cristão em nossa cultura, o genocídio silencioso ou “nazismo de luvas brancas” continuará a acontecer e os campos de concentração serão os hospitais.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui