Adeus 1984.

“Esse parece ser um ano em que nada de bom pode ser retirado, mas sempre há algo de valoroso para aprender independente da circunstância.”

Por Tiago Augusto

O domínio sobre si mesmo é que traz a verdadeira liberdade, sobre esse valor absoluto e suas consequências. Cada vez mais as pessoas querem suas liberdades, percebem que isso se lhes está sendo tirado, mas a esquizofrenia social chegou a tal ponto que pedem a ação do estado para que o mesmo pare com seu próprio despotismo.

De alguma forma bisonha as pessoas acreditam que o problema é a classe política, vivendo como se a mesma seja um ente a parte da sociedade e não consequência do estado mental da nação que se deixou reinar por ideias amorais, valores fabricados nas reuniões de pauta e DCE’s universitários.

O ano de 2020 mais parece o 1984 distópico de George Orwell, e os exemplos são vastos. Houveram prisões de jornalistas, censuras, invasões de domicílio autorizadas por um judiciário histérico que mais assemelhava a Polícia das Ideias descrita pelo autor bretão. Assistimos Sergio Moro tirar a capa da justiça e revelar sua face de ativista judicial e hipócrita. Não devemos esquecer também de prisões de pessoas comuns que estavam se banhando na praia do Rio de Janeiro, a mulher presa no parque por estar sem máscara em uma praça no estado de São Paulo e nem a senhora que foi algemada pela polícia do Caiado na porta de um banco em Caldas Novas por “não respeitar o distanciamento social”, pessoas comuns usufruindo de sua liberdade natural consagrada na Constituição Federal.

Saltaram aos olhos a união promíscua entre a “imprensa oficial”, judiciário, políticos fisiológicos como o Nhonho – mais conhecido como Rodrigo Maia – e empresários globalistas, o Ministério da Verdade orwelliano com sua potência total. Até ataque de gafanhotos aconteceu esse ano, só para incrementar o combo.

Por fim e mais importante, presenciamos cristãos de todo o mundo proibidos de se alimentarem espiritualmente em cultos e missas por todo Brasil e o mundo, um verdadeiro teste de fé para todos os crentes, trancados em casa e sem o alimento espiritual.

Já em 2011, Olavo de Carvalho escreveu que as “distinções espontâneas, naturais, autoevidentes, arraigadas no fundo do subconsciente humano pela natureza das coisas e por uma experiência arquimilenar, tornaram-se automaticamente suspeitas e devem ser refreadas até prova suficiente de que não infringem nenhum código, não ofendem nenhum grupo de interesses, não magoam nenhuma suscetibilidade protegida pelo Estado”. Este ano foi possível perceber toda essa engenharia de pensamento colocada em prática sem rodeios.

A velha história contada por Orwell em sua obra-prima, 1984, que dá título a este texto: “No fim o Partido haveria de anunciar que dois mais dois são cinco, e você seria obrigado a acreditar. (…) A heresia das heresias era o bom senso.”

Os editores da nação, para usar a expressão do ministro Dias Tóffoli – ou, amigo do amigo do meu pai, na lista da Odebrecht – querem recorrer à lógica para questionar a própria lógica, afrontar a moralidade usando de moralismo barato.

Esse parece ser um ano em que nada de bom pode ser retirado, mas sempre há algo de valoroso para aprender independente da circunstância. Vejo as ações dessas forças que citei como a última debatida do demônio antes de ser exorcizado – isso não significa que depois de expulso o demônio não volte, aliás, ele ainda não foi expulso – me apego àquela máxima de que tempos difíceis formam homens fortes.

Adeus, 1984, “para os solteiros, sorte no amor, nenhuma esperança perdida, para os casados, nenhuma briga, paz e sossego na vida”.

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