A NOVA REVOLTA DA VACINA?

(foto: Leonidas/Acervo Fiocruz)

“Por um imperativo jurídico e partidário pode-se impulsionar uma rebelião e muitos lucrarão com isso… Mas a realidade nua e crua é que quem está sofrendo com o corona vírus pode sofrer duas vezes mais em meio a tantas disputas.”

Por Danilo Barbosa

Mais de um século após o levante popular que ficou conhecido como “a revolta da vacina”, emerge em pleno 2020 um novo movimento semelhante de revolta (em tese)às custas de muitas dúvidas.

O assunto em voga nos últimos dias, tem sido a vacina imunizante que protege do vírus da covid-19. Não bastasse os inúmeros laboratórios que disputam a milionária corrida para disponibilizar a vacina o quanto antes no mercado, ainda é dispensado tempo para tratar de outros tantos assuntos que rondam os incontáveis rumores sobre esses diversos laboratórios. Entretanto, nossa conversa aqui não é para tratar de burburinhos, mas de fatos.

A realidade é que o brasileiro já é um povo cansado de corrupção, por mais que, infelizmente, isso faça parte da cultura, ninguém mais suporta notícias e mais notícias de dinheiro público sendo desviado e/ou gasto sem o menor pudor (que é um grande assunto acerca do valor exacerbado sobre a precificação do imunizante, muitos destes sem prestação de conta alguma). Junte isso com a mentalidade recorrente de que “vacinas são perigosas”. Bem, não é de hoje que sempre tem aquele que conta a história de um conhecido que passou mal depois de tomar uma vacina, talvez você até conheça alguém. Só aqui já possuímos razões suficientes para dizer que não seria surpresa a explosão de uma nova revolta.

Não quero aqui tratar dos possíveis danos causados em alguém inoculado, mas apenas levantar a seguinte questão: vale realmente a pena submeter-se a uma vacina produzida às pressas para satisfazer o anseio de grandes grupos? Lógico, também não quero engrossar o coro dos que tramam uma nova revolta. Porém não posso deixar de colocar minha razão ao serviço de uma indagação geral e própria também. Talvez você que está lendo este texto agora esteja se fazendo a mesma pergunta.


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Que urge necessário uma resposta que combata efetivamente esse vírus, ninguém discorda. Contudo, não é de se espantar quando alguém rejeita uma vacina que, por exemplo, seja produzida pelo mesmo país que não foi capaz de controlar o foco do vírus, que se transformou em pandemia. Falo da China, obviamente. É forçoso fazer acreditar que existe veracidade no discurso de que este mesmo país que foi tão lento em detectar um surto seja tão rápido e eficaz para produzir uma resposta imunológica à mesma doença até então desconhecida.

Os mesmos motivos que levaram a população fluminense em 1904 a se rebelar contra a campanha obrigatória de vacinação assemelham-se aos motivos atuais para os discursos que se impõem contra essas novas vacinas, muitas ainda em testes que saltam várias etapas. Atualmente há montanhas de lixo em forma de (des) informação; ratos e baratas à solta, muitos destes até trajados de terno e gravata.

Hoje (16) é o dia marcado para que o STF comece o julgamento de uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) imposta por um partido político onde requer que os estados e municípios façam a campanha e vacine compulsoriamente os cidadãos (tendo em vista o seu bem-estar, claro). Decerto uma vacina obrigatória – o que não é novidade no Brasil – seja um motivo irrelevante para uma rebelião nesta altura do campeonato. Todavia, em 1904 a vacina também foi só o estopim e, como dito acima que o brasileiro já é um povo cansado de corrupção, uma vacinação imposta poderia ser rastilho de pólvora para um grande motim que levantaria bandeiras múltiplas de reinvindicação e indignação.

Por um imperativo jurídico e partidário pode-se impulsionar uma rebelião e muitos lucrarão com isso… Mas a realidade nua e crua é que quem está sofrendo com o coronavírus pode sofrer duas vezes mais em meio a tantas disputas que carregam o estandarte exuberante da “ciência” que não deseja outra coisa senão lucrar, digo, levar bem-estar ao querido povo deste país.          

Se obrigatória ou não, a vacina é necessária e disso ninguém duvida.  O que vai transcorrer nos próximos dias com o resultado deste julgamento supracitado é incerto dizer, mas nenhum de nós erramos em desejar que o bom senso prevaleça e que não se produza mais motivos para criar ambiente de instabilidade.

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